Meio Ambiente e Ciências Agrárias

Todos os campos são obrigatórios

AGRONOMIA

O trabalho desse profissional nunca foi tão importante no agronegócio brasileiro em razão da preocupação crescente com o desenvolvimento sustentável. Saber como produzir sem agredir o ambiente é uma das principais funções e responsabilidades do agrônomo. "Ao longo dos anos, a produção agrícola foi sinônimo de degradação ambiental por diversos motivos, com o uso irracional de agroquímicos e o desmatamento", conta o engenheiro agrônomo Luiz Henrique Bambini, mestrando da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, na área de genética e melhoramento vegetal. “Atualmente, no entanto, com a tecnologia desenvolvida por órgãos de ensino, pesquisa e extensão rural, tornou-se possível maximizar a produção minimizando os impactos ambientais", explica ele. O agrônomo envolve-se em praticamente todas as etapas do agronegócio – do plantio ou da criação do rebanho à comercialização da produção.Ele planeja, organiza e acompanha o preparo e o cultivo do solo, o combate a pragas e doenças, a colheita,o armazenamento e a distribuição da safra. Também gerencia a industrialização e a comercialização de alimentos de origem animal e vegetal. Além de acompanhar o dia a dia no campo, desempenha funções em escritórios, informando-se sobre novas tecnologias e pesquisas científicas da área,calculando estoques e monitorando a cotação dos produtos nas bolsas de valores mundo afora. Outro possível campo de atuação é como representante comercial, quando divulga produtos ou demonstra o uso de suas tecnologias. "Num futuro próximo,serão necessários agrônomos especialistas em todas as fases de trabalho, que saibam analisar o que deve ocorrer antes, durante e depois da ação realizada", diz Geraldo Majella Bezerra Lopes,gerente do departamento de pesquisa do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).



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O mercado de trabalho

A crise mundial de alimentos foi um dos fatos mais marcantes de 2008, em especial por causado aumento da demanda nos países asiáticos. A boa notícia é que, nesse mesmo ano, o setor agropecuário brasileiro colheu a maior safra de grãos da história. Foram 143,2 milhões de toneladas. O setor experimentou algumas oscilações de preço, mas isso não trouxe prejuízo para os produtores nacionais. "Ainda que o preço da soja, do açúcar e do milho tenha caído um pouco – mas já esteja em recuperação –, o mundo vai continuar precisando de comida", explica Davi Guilherme Gaspar Ruas, coordenador do curso de Agronomia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar),no interior paulista. Por esse motivo, o mercado de trabalho para o agrônomo continua com boas perspectivas, principalmente para o especialista em fitotecnia e produção agroindustrial. A pecuária também absorve o profissional, que atua na produção, no manejo e na recuperação de pastagens. As vagas encontram-se, sobretudo, nas regiões mais avançadas em tecnologia agrícola, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e noroeste de Minas Gerais.Com a expansão do setor agrícola nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, abrem-se oportunidades para pesquisa, especialmente em empresas estatais. Já a intensificação do comércio internacional aumenta a demanda na área de gestão. Na indústria de equipamentos e produtos agropecuários, o profissional trabalha na venda e orientação técnica com o produtor rural. O setor sucroalcoleiro, outro tradicional empregador do bacharel, continua estável. A necessidade de mão de obra especializada é maior no interior de São Paulo e nos estados do Centro-Oeste.

O curso

Os dois primeiros anos mesclam matérias das áreas de ciências biológicas e exatas, como biologia, bioquímica, matemática, informática e estatística. Nos três anos seguintes, o forte são as disciplinas profissionalizantes, ministradas nas subáreas de engenharia rural, ciência do solo, agricultura e engenharia florestal, entre outras. Boa parte da carga horária é dedicada a aulas práticas em laboratórios e fazendas experimentais. Algumas instituições oferecem licenciatura em Ciências Agrícolas e em Ciências Agrárias. A duração média do curso é de cinco anos. O estágio é obrigatório, assim como o trabalho de conclusão de curso.


Outros nomes: Ciên. Agr.; Ciên. Agr. e Amb.; Ciên. Agrícolas; Eng. Agron.

O que você pode fazer

Defesa sanitária Combater pragas e prevenir doenças em lavouras e rebanhos. Economia e administração agroindustrial Planejar e gerenciar as operações de distribuição e venda de produtos agrícolas. Engenharia rural Projetar e supervisionar obras em propriedades rurais, como construções, nivelamento do solo, montagem de sistemas de irrigação e de drenagem. Ensino Lecionar em escolas públicas ou particulares de educação profissional ou em faculdades. Fitotecnia Acompanhar o cultivo e a colheita de safras, buscando aumentar a produtividade por meio da seleção de sementes, do emprego de fertilizantes e adubos e do combate a doenças e pragas. Indústria e comercialização de alimentos Supervisionar e gerenciar a qualidade e a estratégia de preços de alimentos de origem animal e vegetal. Manejo ambiental Explorar racionalmente os recursos naturais, preservando o meio ambiente. Produção agroindustrial Gerenciar o processo de industrialização de produtos agrícolas, controlando a qualidade final da produção. Pesquisar novas tecnologias e produtos. Silvicultura Recuperar matas devastadas e cuidar do plantio e do manejo de áreas de reflorestamento. Preparar relatórios de impacto ambiental. Solos Preservar a fertilidade e controlar as propriedades físicas dos solos, prescrevendo seu manejo. Zootecnia Controlar a produção animal, cuidando da alimentação, da saúde, da reprodução e da qualidade dos rebanhos.