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por Junior Bellé
Baixa do dólar, acirramento do mercado de trabalho, estabilidade econômica no Brasil e inúmeros programas de bolsas de estudos estão entre os principais motivos para o aumento do número de brasileiros que buscam uma pós-graduação no exterior. O Instituto Internacional de Educação mensura que, ainda em 2006, cerca de 2.600 alunos se matricularam em cursos de especialização apenas nos Estados Unidos. Estima-se que entre 2001 e 2006, o número de estudantes brasileiros estudando no exterior aumentou 40%.
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NÚMEROS
No entanto, o Brasil ainda engatinha nesse quesito. Segundo o IBGE, em uma década o país dobrou o número de jovens entre 18 e 24 anos cursando o ensino superior, um salto de 6,9% em 1998 para 13,9% em 2008. Ao mesmo tempo, de acordo com a Unesco, apenas 30% dos brasileiros possuem curso superior e, destes, somente 21% seguem para alguma especialização latu sensu. Para se estabelecer uma comparação, este número sobe para 40% no Chile e 83% nos Estados Unidos.
Em agosto deste ano, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) apresentou ao Ministério da Educação e Tecnologia um plano de apoio à ampliação dos cursos de mestrado e doutorado. A meta é aumentar 80% o número de estudantes de pós-graduação até 2012, o que alavancaria o total de alunos de 64.626 para 116.618.
Entretanto, cada vez mais universitários brasileiros buscam educação no exterior. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o número de brasileiros estudando em países da organização cresceu 30% de 2002 a 2006, data da última atualização dos dados. Este percentual elevaria de 16 para 21,3 mil a quantidade de brasileiros estudando em cursos universitários em algum dos 30 países membros.
TEM BUROCRACIA?
Kati Eliana Caetano é professora da graduação e mestrado da Universidade Tuiuti do Paraná, e tem uma larga experiência em cursos fora Brasil: “Fiz três pós-graduações no exterior, todos na França. O primeiro foi uma bolsa-sanduíche de doutorado. Eu fazia doutorado na USP e abriu seleção de bolsas pelo acordo BID-USP para essa modalidade de bolsa. O segundo foi um pós-doutorado em semiótica na Université de Liège, com acompanhamento dos Seminaires Intersemiotiques de Paris. O terceiro foi um pós-doutorado em Ciências da Linguagem na École Normale Superieure de Lyon e Université de Paris VII”.
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Kati conta que buscou universidades de fora por questões diretamente ligadas a grupos de pesquisa e linhas teóricas, além da excelência de ensino, é claro. A professora afirma também que não teve muitos problemas com a burocracia, com a reunião de documentos e o envio de papéis: “É preciso reunir os dossiês solicitados pelos organismos de subvenção. Mas são exigências normais e necessárias para a efetivação de um processo seletivo de concessão de bolsas”.
DOCUMENTOS NECESSÁRIOS
O candidato que se decidir por uma pós-graduação no exterior precisa estar ciente de que se trata de um processo um pouco burocrático e lento. Cada país, e particularmente cada universidade, possui trâmites diferentes e exigências documentais específicas.
Entretanto, segundo Alexandrine Brami Celentano, diretora geral do Instituto de Estudos Franceses e Europeus de São Paulo (IFESP), esta papelada segue um padrão: “na realidade os procedimentos são sempre os mesmos. Você terá que apresentar o resultado de um teste de proficiência, um currículo escrito com os padrões do país, uma carta de apresentação também nos padrões locais, em geral de duas a três cartas de recomendação e o projeto de pesquisa ou profissional”.
Outros documentos são: histórico escolar e certidão de nascimento traduzidos (geralmente tradução juramentada) e, e alguns casos, um documento que prove que possui condições de se manter no país. Para Alexandrine, mais importante que a rapidez em compilar os papéis é o perfil que eles terão, pois cada país e universidade pede características diferentes em seus modelos de aprovação: “Por exemplo, uma carta de apresentação para uma universidade francesa precisa de determinado tipo de argumento, para uma norte-americana outro, uma atitude diferente. Um júri de seleção espera coisas diferentes nos diferentes países. Esses padrões diferentes envolvem formatações do documento, conteúdo, argumentação e também a cultura do país. Além do mais, numa carta de apresentação, há universidades que pedem que ela seja feita on-line, então o candidato tem 1,5 mil ou 2 mil caracteres para escrever; quando é em papel são duas páginas. É preciso ter consciência destas diferenças ”.
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