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Ação global: conheça e ajude o mundo

Por meio dos programas de trabalho voluntário, jovens saem do Brasil para conhecer outras culturas e ajudar comunidades carentes no exterior

Passar uma temporada de estudo ou trabalho no exterior por si só já representa enorme ganho para sua vida pessoal e profissional. Se essa experiência incluir ações de voluntariado, sua formação se torna ainda mais completa. Além de desenvolver a fluência no idioma e fazer uma imersão na cultura local, os programas de trabalho voluntário permitem que você entenda melhor os problemas que outros países enfrentam (que, em muitos casos, são bastante diferentes das mazelas brasileiras), adquira uma consciência social maior e, o mais importante, contribua para ajudar pessoas com necessidades. “É aula prática de cidadania. Ao doar seu tempo para ajudar o próximo, o voluntário conhece as dificuldades sociais e a vida sociocultural do país”, diz Andréa Goeb, gerente de desenvolvimento organizacional da AFS, no Rio de Janeiro (RJ), organização não-governamental (ONG) que promove intercâmbios culturais.

DA FRANÇA PARA BURKINA FASSO
A procura por esse tipo de intercâmbio tem aumentado significativamente nos últimos anos. O que motivou a gaúcha Marina Guterrez, de 21 anos, a trabalhar voluntariamente no exterior foi o desejo de conhecer de perto as demandas sociais de outros países. Os problemas do Brasil ela já conhecia bem, pois desde os 14 anos participa de trabalhos voluntários por aqui, organizando eventos e atividades para receber doações de roupas, alimentos e brinquedos.



Aos 19 anos, ela trancou a faculdade de Direito e, em agosto de 2005, partiu para uma temporada de um ano em Montauban, na França, onde trabalhou no Movimento Emaús, uma ONG formada por grupos comunitários que acolhem os sem-teto. Ao lado deles, Marina participava das atividades da comunidade, recolhendo objetos que, por meio de ateliês de reciclagem e de mosaico, eram consertados ou transformados em artesanato para ser vendidos. “Trabalhava principalmente com imigrantes ilegais do Leste Europeu e do norte da África e exprisioneiros”, explica Marina. “Minha ajuda era mais psicológica, já que mesmo sem passar pelo que eles passaram eu estava ali, mostrando que nós somos iguais e que eles podiam escrever a própria história.” O envolvimento de Marina com o movimento foi tão grande que ela mesma criou um projeto entre os membros das comunidades de outras cidades para incentivar o vínculo de amizade entre eles, promovendo passeios e encontros.


Quando já estava de malas prontas para retornar ao Brasil, Marina recebeu um convite para participar de um projeto em comunidades agrícolas no interior de Burkina Fasso, país localizado no oeste da África, durante um mês. Lá, ela trabalhou na adubação da terra, na canalização da água e na construção de poços artesianos. De volta ao Brasil, retomou o curso de Direito e já sente os reflexos dessa experiência. “Ao conviver com uma situação que é alheia à minha vida, eu me tornei mais flexível. Agora consigo me colocar no papel dos outros e aceitar o diferente”, conta. Além disso, o intercâmbio influenciou muito seu direcionamento profissional. “Quando eu me formar, pretendo trabalhar na área de direitos humanos e direito internacional”, diz.


VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL
Quando a carioca Marta Reis Rocha, de 24 anos, resolveu participar de um programa de trabalho voluntário no exterior, sua idéia era unir o útil ao agradável. Ou seja, colaborar como voluntária na África do Sul, um país que sempre a fascinou, e poder exercer alguma atividade na área de comunicação. Em janeiro de 2005, ela trancou a faculdade de Jornalismo e partiu para Johanesburgo, onde ficou por seis meses. Lá trabalhou numa ONG que distribuía filmes sul-africanos para exibição em comunidades carentes e em favelas na periferia da cidade.

Para tornar sua experiência na África do Sul ainda mais completa, ela passou a colaborar também com um orfanato na periferia da cidade, onde cuidava de bebês, a maioria soropositivos. “Na ONG eu pude ter uma visão ampla de como é o cinema no país, mas eu precisava desse contato mais direto com as pessoas, e o orfanato me proporcionou isso”, explica. O fato de visitar áreas perigosas para exercer suas atividades não a inibiu. “O orfanato ficava num lugar barrapesada, e, no começo, a família que me hospedou me levava. Mas, aos poucos, fui ganhando mais autonomia e indo sozinha”, conta. Ao voltar para o Rio de Janeiro, Marta concluiu a faculdade e hoje trabalha num grande portal na internet. “Essa experiência abriu muitas portas profwissionais, e acho que o fato de eu ter sido voluntária no exterior me ajudou a conseguir esse emprego.”


SEJA UM VOLUNTÁRIO
Além da AFS, outras ONGs e instituições como a Associação Brasileira de Intercâmbio Cultural (Abic) e a Aiesec também oferecem programas de trabalho voluntário. Para participar é preciso ter no mínimo 18 ou 19 anos, dependendo do intercâmbio, e pelo menos conhecimento intermediário do idioma local. A AFS promove o intercâmbio para a África do Sul, a Costa Rica e a Bélgica, em áreas como saúde, educação, política, meio ambiente e cultura. Mesmo em se tratando de trabalho oluntário, é preciso pagar 12 mil reais para um programa de seis meses na África do Sul ou na Bélgica e 9 mil reais na Costa Rica. O valor é cobrado para custear gastos com a seleção e a colocação do candidato, passagens áreas, acomodação, alimentação, seguro-saúde e outras despesas.


JOVENS ENGAJADOS
Em alguns casos é necessário comprovar algum conhecimento na área em que vai trabalhar ou justificar o interesse em fazer o intercâmbio. “Geralmente, os jovens que nos procuram já realizam algum trabalho voluntário aqui no Brasil ou são universitários que buscam um aperfeiçoamento numa área específica dentro da futura atuação profissional”, conta Andréa Goebb, da AFS.