Até pouco tempo atrás, estudar numa universidade estrangeira era um luxo restrito apenas a quem pudesse bancar o alto custo da empreitada. Mas hoje em dia está mais fácil cursar pelo menos parte da graduação no exterior. Afinal, a globalização, que vem eliminando barreiras culturais e econômicas, também chegou à educação. É cada vez maior o número de universidades brasileiras que mantêm convênios com instituições estrangeiras. São parcerias que visam a estimular o intercâmbio de alunos, e, com esse caminho aberto, muitos têm partido para uma temporada de estudos lá fora.
“A cooperação internacional entre as universidades deixou de ser uma tendência, é um fato”, diz Luciane Stallivieri, presidente do Fórum de Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais (Faubai), que conta com mais de 150 instituições de ensino superior filiadas. “Com essas parcerias, as instituições se tornam conhecidas e respeitadas dentro do universo educacional e conseguem qualificar melhor seus alunos para o mercado de trabalho”, justifica.
INTERNACIONALIZAÇÃO
De olho na formação internacional de seus estudantes, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) mantém parcerias com instituições de ensino estrangeiras há oito anos. Por um período de seis meses ou um ano, os alunos podem estudar Psicologia na Espanha, Administração nos Estados Unidos ou Filsofia na Alemanha, entre outras oportunidades. Segundo Silvana Silveira, coordenadora do núcleo de mobilidade acadêmica, o período de estudos no exterior serve como uma importante complementação para a formação dos alunos. “Há cursos que são mais teóricos aqui e mais práticos no exterior, e vice-versa. Além disso, os estudantes podem compartilhar a experiência com os colegas na volta ao Brasil.”
A Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo (SP), por sua vez, oferece a dupla titulação, programa em que os alunos de cursos como Fisioterapia e Hotelaria estudam em países como Espanha ou Suíça e saem com um diploma válido tanto na Europa quanto no Brasil. Outra opção é o intercâmbio internacional mais tradicional, em que o estudante faz um semestre no exterior.
ENSINO MULTICULTURAL
O aprendizado técnico diferenciado e a possibilidade de ter uma vivência multicultural são o principal atrativo desses programas. Foi essa combinação que estimulou Natália Veneziani, de 22 anos, a participar do programa de intercâmbio internacional da Anhembi Morumbi, em 2007. A aluna de Turismo estudou um semestre na Universidade Européia de Madri, na Espanha, onde conheceu as diferentes abordagens dos dois países. “No Brasil, o atendimento é mais aberto e hospitaleiro. Já na Espanha, o foco é na eficiência dos negócios e do serviço. Com esses conhecimentos, eu quero unir o melhor dos dois países”, conta.
Segundo ela, a forma como os professores espanhóis ensinavam também era um pouco diferente. “Lá eles apresentam temas e nos dão casos para discutir, o que deixa a aula mais dinâmica.” De volta ao Brasil, ela está no último semestre do curso e trabalha numa agência de intercâmbio. “Essa experiência foi fundamental para o meu trabalho, pois eu pude viajar para 12 países na Europa e agora também posso dar dicas sobre lugares, albergues e companhias aéreas.”
PARA PARTICIPAR
Se você tiver interesse em fazer parte da graduação no exterior, o primeiro passo é procurar o departamento especializado de sua universidade. Os tipos de parceria e convênio que as escolas mantêm com as instituições estrangeiras podem variar; portanto, procure conhecer todas as possibilidades de programas disponíveis. Para não correr o risco de perder o período de estudos correspondente, tenha a certeza de que as disciplinas cursadas lá fora serão validadas como créditos na faculdade em que você estuda no Brasil. “Os departamentos responsáveis pelo intercâmbio têm a obrigação de monitorar quais disciplinas o aluno deve cursar para que o período de estudos seja validado”, diz Luciane.
Cada universidade tem sua forma de selecionar os estudantes para o programa. Normalmente, é preciso ter completado um mínimo de créditos (algumas escolas exigem até 50% deles concluídos) e ser um aluno exemplar, com médias altas. Há instituições que exigem uma pontuação mínima em testes de proficiência, como o Toefl. Também é comum que a escola faça uma entrevista com o candidato, e, em alguns casos, ela pode exigir um plano de estudos, em que o aluno deve apresentar uma relação das disciplinas que deseja cursar e seus objetivos com o intercâmbio.
CUSTOS E DURAÇÃO
Os custos desse tipo de programa variam muito, dependendo da universidade. Em certos casos, o estudante paga o mesmo valor cobrado de qualquer aluno estrangeiro. Mas, de modo geral, o intercâmbio propicia algumas facilidades do ponto de vista financeiro, como descontos ou a cobrança da mesma mensalidade paga no Brasil. Também existem universidades que não cobram nada pelo período de estudos no exterior. Mas, mesmo assim, é preciso fazer um bom pé-de-meia, já que terá de bancar gastos com alimentação, acomodação e passagens aéreas.
Geralmente, o intercâmbio dura seis meses ou um ano, embora, em algumas escolas, o aluno possa permanecer até um terço do curso estudando lá fora. Segundo a Faubai, os principais destinos dos universitários intercambistas são países como Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Itália, França e Alemanha. A entidade aponta, ainda, um forte crescimento de parcerias com instituições da América Latina e de nações asiáticas, como China, Japão e Coréia do Sul. Entre as áreas em que o intercâmbio é mais comum estão administração, comércio exterior, arquitetura, moda, hotelaria e turismo.
Veja mais: No site da Faubai (www.faubai.org.br) você encontra uma relação das universidades brasileiras que mantêm parcerias com instituições estrangeiras e oferecem algum tipo de intercâmbio aos alunos.