Um mundo de oportunidades se apresenta para quem decide fazer uma viagem de intercâmbio. Mas, se você quiser aproveitar essa experiência por completo, é preciso estar com a mente aberta para lidar com circunstâncias que serão totalmente novas em sua vida. Para muitos, trata-se da primeira viagem ao exterior e também da primeira vez que passarão um longo tempo longe do conforto de casa e da companhia dos pais. Por isso, estar ciente de que o estilo de vida lá fora será bem diferente do que você tem aqui no Brasil é o primeiro passo para encarar algumas ciladas que podem surgir durante o intercâmbio. A seguir, você irá conhecer alguns dos principais problemas pelos quais passam os intercambistas e as dicas para resolver essas situações.
1. DIFICULDADES DE SE INSERIR NA CULTURA LOCAL
A saudade da família e dos amigos bate forte, mas é preciso se acostumar logo com a idéia de que sua vida agora acontece em outro país. Para muitos, é difícil resistir à tentação de ficar no computador conversando com os amigos pelo MSN ou de ligar diariamente para a família. Ao levar uma vida que se resume à escola e ao computador, o intercambista deixa de aproveitar o melhor da viagem: conhecer uma cultura diferente, fazer novas amizades e desenvolver o idioma.
Solução: Segundo a psicóloga interculturalista Gabriela Ribeiro, o envolvimento do intercambista com a nova cultura depende muito de sua personalidade. “Existem pessoas que são mais abertas a novas experiências e também aquelas que têm dificuldade para criar vínculos.” Mas mesmo quem não consegue se enturmar com facilidade pode aproveitar bem o intercâmbio. Para fazer novas amizades entre os nativos, é importante participar de atividades coletivas, como as que envolvem esporte ou música. Também é fundamental ser proativo e procurar os passeios na sua cidade, além de conhecer a cultura local. Quanto ao MSN e ao telefone, Gabriela é enfática: “Uma vez por semana é o suficiente”.
2. ADAPTAÇÃO EM UMA CIDADE PEQUENA
Quando você pensa em Estados Unidos logo lhe vem à mente os prédios de Nova York ou o glamour de Los Angeles, certo? Pois, em alguns casos, principalmente nos programas de high school, o intercambista vai parar em cidades do interior de estados como Kansas ou Texas, com 10 mil habitantes em média.
Solução: Procure conhecer o que há de bom para fazer no local – por menor que a cidade seja, sempre existe algum atrativo. Em cidades pequenas, os vizinhos costumam ser mais próximos; por isso, tente fazer amigos na comunidade. Outra boa dica é reunir colegas para mostrar um pouco da cultura brasileira – que tal preparar aquela receita de bolo de sua mãe ou fazer brigadeiro pare eles? Se a escola oferecer alguma atividade extracurricular, veja se existe algo de seu interesse. E, quando estiver em casa, assistir TV e DVDs ajuda a distrair e a praticar o idioma.
3. FAMÍLIA HOSPEDEIRA
Embora as agências costumem fazer uma seleção rigorosa das famílias que vão receber intercambistas, nada garante que sua relação com seus novos pais será harmoniosa. O carioca Fernando Troian, de 18 anos, teve dificuldades em se relacionar com a família durante o high school que fez no segundo semestre de 2007 em Oakland, na Nova Zelândia. Os problemas começaram logo na chegada. “Eles não foram me buscar no aeroporto conforme o combinado nem se mostraram preocupados com isso”, conta. Daí para a frente, a situação não melhorou muito. “Nós mal conversávamos e quando eu chegava em casa cumprimentava o pessoal e ia para meu quarto. Não foi como uma família, parecia que eles estavam me recebendo apenas por causa do dinheiro.”
Solução: Os problemas surgem porque é você quem vai ter de se adaptar às regras daquela casa, o que pode gerar conflitos. O ideal é entrar em contato com a família antes de chegar lá. Enviar um e-mail agradecendo a hospitalidade, pode ajudar a quebrar o gelo. Procure, também, conhecer as regras da família, principalmente com relação às tarefas domésticas e aos horários. Depois que já estiver estabelecido na casa, converse com a família hospedeira para se adaptar a algumas condições. “Se você não aceitar uma das regras da casa, seja sincero e negocie, mas sempre de forma direta e respeitosa”, recomenda Gabriela. Caso aconteça algo muito grave, entre em contato com o coordenador do intercâmbio para tentar solucionar o problema ou mudar de família.
4. REGRAS E LEIS
Alguns intercambistas podem se meter em confusão por não conhecer as leis do país em que está estudando. Dependendo da infração, você pode ser desligado do programa. Em países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, por exemplo, existe um limite de idade para beber. Outro caso bastante comum ocorre em certos países europeus, onde não há catraca em trens ou metrôs – o que não desobriga os passageiros de comprar o bilhete. Quem for pego sem a passagem pode ter de pagar uma pesada multa. Também nunca é demais advertir que quem trabalha no exterior sem o visto adequado está sujeito a ser deportado.
Solução: De acordo com Gabriela, os intercambistas cometem infrações mais por imaturidade do que por maldade. “O problema é a forma como os brasileiros encaram as leis. Eles acham que não há problema em burlar uma regrinha, mas lógico que há”, diz. Antes de embarcar procure informarse sobre os costumes e as leis do país e, quando chegar lá, converse com a família hospedeira e com os colegas a respeito.
5. READAPTAÇÃO
Para quem fica mais de seis meses fora do Brasil, o choque pode ser grande na hora de voltar. Durante uma temporada de estudos no exterior, o intercambista sofre para se adaptar no começo, mas depois acaba construindo vínculos fortes com a escola, os colegas e a família. Logo, é comum dar aquele aperto no coração na hora de retornar ao Brasil. “Agora que estou adaptado vou ter de deixar tudo isso para trás?”, essa é a indagação comum.
Solução: Quem faz intercâmbio volta diferente, mais maduro. E, muitas vezes, nem o intercambista nem as pessoas que estão à sua volta estão preparados para lidar com essas mudanças. “Muitos acabam se colocando numa posição de superioridade e se dão conta de que os assuntos de seus amigos não lhe interessam mais”, diz Gabriela. Mas você não deve se esquecer de que eles ainda são seus amigos e existe um elo mais forte que mantém vocês unidos. É preciso voltar à sua rotina no Brasil e pensar para a frente: ter consciência de tudo aquilo que foi conquistado com o intercâmbio e imaginar de que forma vai desfrutar essas vantagens na sua vida pessoal e profissional. “Tudo costuma voltar ao normal depois de uns três meses”, tranqüiliza Gabriela.