Em um mundo onde a comunicação ganha cada vez mais importância e atenção, em todos os setores da atividade econômica e social, os profissionais com essa formação já saem da escola com um diferencial. Além disso, contam com um vasto campo de atuação: emissoras de televisão, agências de publicidade, produtoras de vídeo e cinema, assessorias de imprensa, setor de comunicação interna e institucional de empresas, entre outras opções.
Como todos os cursos tecnólogos, os de comunicação são voltados primordialmente para a prática. O estudante dessa área aprende tudo o que é preciso para colocar a mão na massa, rapidamente. Daí os estudos concentrarem-se em temas específicos e práticos, para ir fundo dentro de cada campo oferecido.
Há vários cursos diferentes na área de comunicação. No curso de Tecnologia em Eventos, por exemplo, o estudante aprende a lidar com todas as variantes importantes para o planejamento e execução de eventos para os mais variados clientes. Em Produção Audiovisual, as aulas são voltadas para as técnicas e habilidades necessárias para produzir uma peça de tevê ou cinema. Os profissionais do curso de Publicidade e Propaganda, por sua vez, adquirem uma visão específica dos aspectos criativos e estratégicos na criação de peças para atrair consumidores.
Diferentemente dos tecnólogos em Comunicação Institucional, que saem da escola aptos a criar mecanismos de comunicação internos e externos para empresas, governos e instituições não governamentais. Há ainda a Comunicação Assistiva, na qual o aluno aprende a traduzir e interpretar a grafia Braille, para deficientes visuais, e a Língua Brasileira de Sinais (Libras), usadas para a comunicação com deficientes auditivos.
Comunicação Assistiva
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 350 mil brasileiros têm a audição completamente comprometida. O IBGE reitera essa informação declarando que é a terceira deficiência mais detectada no país. Ou seja, há um número expressivo de pessoas socialmente excluídas por não conseguir se comunicar na linguagem padrão. Pensando nisso, o Governo Federal instituiu um decreto que obriga as instituições públicas a terem ao menos um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Isso gerou uma demanda por profissionais em escolas, creches, hospitais e órgãos públicos de todo o país.
O trabalho do tecnólogo em Comunicação Assistiva é o mesmo daquele realizado por tradutores e intérpretes, mas usando a linguagem dos deficientes visuais e auditivos. Para quem não ouve, ele precisa saber transformar as palavras da Língua Portuguesa em Libras, e vice-versa. Para isso, o curso inclui aulas de interpretação, linguagem corporal, cultura, ética e legislação. Vale lembrar que cada país tem seu próprio idioma em Libras.
No caso dos deficientes visuais, a tradução é feita do Braille para a Língua Portuguesa e vice-versa. Os alunos aprendem os fundamentos do Sistema Braille, leitura, escrita, cálculo, produção, adaptação e transcrição de materiais em Braille e entram em contato com softwares sonoros.
Além de intérprete, o tecnólogo também pode realizar pesquisas que enriqueçam o conhecimento em Libras e Braille. “O mercado está muito promissor em função da inclusão de pessoas com deficiência em todos os espaços da sociedade, o que exige profissionais de interpretação. Aqui mesmo já foram contratados 23 intérpretes para atender aos alunos deficientes que chegam a cada vestibular”, conta a professora Maria do Carmo Menicucci, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Comunicação Assistiva da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), em Belo Horizonte.
O curso da PUC-MG dura dois anos e meio e é focado no desenvolvimento das duas competências: domínio de Libras e de Braillle. “Desde o primeiro período, as aulas teóricas, como filosofia e língua portuguesa, são associadas às práticas. Os alunos fazem visitas a diversas instituições e observam as ações desenvolvidas nos ambientes em que deficientes visuais e auditivos se concentram”, diz.
Onde está o emprego: As oportunidades estão em todo o país: escolas, instituições públicas e privadas, empresas, hospitais, agências de comunicação e todos os outros setores que exigem intérpretes de Libras e Braille. No entanto, nas cidades com maior número de órgãos públicos estão as melhores chances. O salário médio inicial é de R$ 1.000.
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Comunicação Institucional
Planejar, gerenciar e promover a comunicação dentro e fora da empresa são as principais atividades do tecnólogo em Comunicação Institucional. O profissional desta área define toda a estrutura de comunicação de uma instituição, interagindo com o público interno e externo. Conforme explica Cláudio Lammardo Neto, professor do curso de Comunicação Empresarial da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), o aluno entra em contato com disciplinas que envolvem relações públicas, assessoria de imprensa e propaganda. “O gestor em comunicação empresarial trabalha com toda a comunicação interna da instituição. Espera-se que ele encontre os problemas de comunicação dentro da empresa e seja capaz de solucioná-los”, explica.
De acordo com o professor, a maior parte dos alunos que procura o curso já trabalha dentro de empresas e busca no tecnólogo melhorar suas habilidades. “A formação do tecnólogo é voltada para a prática. Temos muitos exemplos em sala de aula. A média de idade das turmas é bem maior do que a verificada nos bacharelados”, afirma.
Eduardo Scachetti, 45 anos, é um dos alunos de Cláudio. Ele freqüenta o 3º semestre de Comunicação Empresarial e entrou no curso depois que mudou de setor na empresa em que trabalha há 27 anos. “Passei a atuar no pólo de comunicação e percebi que precisava aprender mais sobre a área”, conta.
Segundo ele, o curso oferece importantes ferramentas para o seu dia-dia profissional. “Aprendemos muita coisa, como pesquisa de mercado, gestão, assessoria de imprensa, cerimonial e vários aspectos de rádio e TV. O curso mudou muito minha atuação no trabalho: aplico o que eu aprendo na faculdade dentro da empresa”, conta.
Onde está o emprego: É crescente o mercado de trabalho para esse tecnólogo em empresas de todo o país. As grandes cidades concentram as melhores chances. Salário médio inicial: R$ 1.000.
Eventos
Há alguns anos, grandes e pequenos eventos – como os que lançam campanhas e produtos, reúnem gerentes de uma empresa ou promovem confraternizações – costumavam ficar, sempre, a cargo de uma pessoa formada em Relações Públicas. Hoje, essa atividade, que não pára de crescer em todo o Brasil, fica também sob a responsabilidade de um profissional especializado, o Tecnólogo de Eventos. Só a cidade de São Paulo recebe mais de 70 mil produções, todos os anos, nas mais diversas áreas de atuação, segundo dados do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB).
Realizado em quatro ou cinco semestres, o curso apresenta ao aluno todos os passos necessários para se colocar de pé um evento: da concepção à pós-produção, passando por temas como captação de recursos, planejamento de serviços, logística, administração do tempo, técnicas de negociação, protocolo e cerimonial, recepção, montagem e legislação.
O tecnólogo dessa área pode atuar em empresas de eventos, feiras, congressos, hotéis ou abrir seu próprio empreendimento “O mercado, em geral, não sabe da existência dos tecnólogos com essa formação”, afirma Ivanize de Azevedo, coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Eventos do Centro Universitário Fieo (Unifieo), em Osasco (SP). “Quando os empregadores tomam conhecimento, se surpreendem e reconhecem, imediatamente, a importância de contar com alguém que tenha essa especialidade”, diz.
Um dos alunos da primeira turma da Unifieo foi o secretário municipal da Cultura de Carapicuíba, José Nogueira Filho. “Fiquei mais preparado à frente da Secretaria”, conta o ex-aluno. Responsável por eventos que levam até 120 mil pessoas ao município, que faz parte da Grande São Paulo, o secretário procurou o curso para aperfeiçoar as atividades que já realizava. Junto com ele, outros profissionais da secretaria buscaram a mesma formação. “Temos uma agenda cultural repleta de eventos durante todo o ano e não conhecíamos uma série de procedimentos que nos ajudaram a melhorá-los. Aprendemos, por exemplo, como captar recursos e buscar parceiros”, diz. “Com o curso, entendi o que eu fazia no meu dia-a-dia e descobri melhores maneiras de realizar os nossos eventos”, afirma.
Onde está o emprego: O mercado concentra-se em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas há oportunidades nos grandes centros de todo o país. No Nordeste, o desenvolvimento do turismo estimula o setor. Salário médio inicial: R$ 1.200.
Produção Audiovisual
Antes de surgirem os tecnólogos em Produção Audiovisual, quem se interessava pela área precisava obter a graduação em cursos superiores tradicionais como Cinema ou Rádio e TV. Cursos que, pela própria tradição, não colocam a prática à frente da teoria. Por isso, hoje já há empregadores que preferem os tecnólogos aos bacharéis. “Até ser criado esse curso, as escolas não ofereciam nada mais voltado para uma formação básica do aluno especificamente para cinema e televisão”, explica João Guilherme Barone, coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Produção Audiovisual da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e secretário geral do Forcine – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual.
Um grande diferencial do tecnólogo, por exemplo, é dar ênfase à formação de criadores de produtos audiovisuais. “Não queremos formar grandes diretores de cinema, mas profissionais que trabalhem com a produção audiovisual, seja na TV ou no cinema”, explica Barone. “Ir para o mercado com uma formação prática facilita a inserção.”
O tecnólogo dessa área pode atuar em rádio, televisão, estúdios de cinema e agências de publicidade. Ele está capacitado para trabalhar em todos as etapas da produção audiovisual, como filmagem, iluminação, fotografia, sonorização, edição e administração de setores técnicos.
Dannyelle de Souza Soares, de 19 anos, está no terceiro semestre do curso de Produção Audiovisual das Faculdades Integradas Unicesp, em Brasília. Ela já trabalhou em três estágios na área e tem planos de abrir uma produtora com o padrasto, que, por sinal, é seu colega de classe. “Também pretendo fazer uma pós-graduação em São Paulo ou no Rio de Janeiro para montarmos nosso negócio”, afirma. “O curso está me ajudando muito porque vai direto ao assunto. Tenho um conhecimento prático, e com a pós pretendo me aperfeiçoar na teoria.”
Para Joelton Carvalho, coordenador do Curso Superior em Produção Audiovisual da Universidade Vale do Rio Doce (Univale-MG), o egresso do curso pode trabalhar tanto em televisão quanto em cinema, com uma formação mais prática. Segundo ele, existe uma demanda muito grande por esses profissionais nas televisões locais. “As filiais das grandes emissoras têm muita carência de pessoas com essa formação. Em Governador Valadares, por exemplo, temos três concessões de tevê que precisam de pessoal especializado”, garante. “Além disso, a internet abriu uma nova área de atuação para o profissional. A necessidade de conteúdo é muito grande na rede”, afirma o coordenador. “Ainda não formamos nenhuma turma, mas vejo que é um mercado está muito bom”, conclui.
Onde está o emprego: O eixo Rio-São Paulo concentra as melhores oportunidades, especialmente em produtoras de vídeo, de cinema, em empresas de comunicação, entre outras. Mas esse tecnólogo é necessário em centros urbanos de todo o país, especialmente nas emissoras de televisão locais. Salário médio inicial: R$ 1.500.
Produção Fonográfica
O produtor fonográfico está capacitado para atuar em produtoras independentes, gravadoras, estúdios de gravação e sonorização, pois domina a tecnologia para se envolver em todas as etapas da concepção de um trabalho fonográfico, da produção à divulgação e distribuição do produto final. Ele opera estúdios de áudio, melhora a qualidade do som e edita obras musicais. O curso tem uma forte parte técnica, com disciplinas como acústica ao ar livre e em estúdios de gravação, montagem de sistemas de sonorização, criação de efeitos, recuperação de áudio e masterização de CD.
Onde está o emprego: Os maiores empregadores estão nas grandes capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas cidades de Minas Gerais e da Região Nordeste surgem como um mercado promissor, devido aos selos independentes. O salário médio inicial para operador de áudio é de R$ 15 por hora. Já os produtores, recebem entre 2% e 5% da vendagem do disco
Produção Multimídia
O curso, com duração média de dois anos e predominância de aulas práticas, prepara esse tecnólogo para garantir a qualidade do som e da imagem transmitidos na mídia eletrônica e digital. Ele planeja, organiza e produz material de áudio e vídeo a ser veiculado por emissoras de rádio, televisão e cinema. Também elabora produtos de comunicação visual que utilizam multimídia interativa e técnicas de artes gráficas por meio de internet ou DVDs. Está habilitado, ainda, a criar ilustrações e animações 2D e 3D e a desenvolver games. Entre as disciplinas práticas, estão áudio e fotografia digitais, produção e expressão de imagens, pós-produção e finalização, cenografia e linguagem musical.
Onde está o emprego: As melhores oportunidades estão nas produtoras independentes, que prestam serviços para TVs (abertas e por assinatura) e para o cinema. O eixo Rio-São Paulo concentra o maior número de vagas e os melhores salários, mas cresce a procura nas afiliadas de grandes emissoras em cidades do interior desses estados e nas capitais do Nordeste e do Sul. O salário médio inicial está na faixa de R$ 1.300.
Publicidade e Propaganda
O tecnólogo em Publicidade e Propaganda atua especialmente em agências de publicidade, produtoras de comerciais, setor de marketing de empresas, companhias de promoção de eventos, assessorias e veículos de comunicação.
Anderson Guimarães, diretor do curso tecnólogo em Propaganda e Marketing da Universidade Estácio de Sá (Estácio), no Rio de Janeiro (RJ), afirma que a escola forma um profissional com visão integrada do mercado. “Hoje, as empresas procuram quem tem conhecimento dos aspectos criativos ligados à comunicação e visão estratégica de mercado. O profissional precisa dominar as questões mercadológicas, e a formação do tecnólogo é mais condizente com essa nova realidade”, afirma.
De acordo com o diretor, o mercado já reconhece as qualidades desse tecnólogo. “Temos um setor na universidade que cuida de estágios em todas as áreas. Na graduação tecnológica, o curso de Propaganda e Marketing é o que mais recebe ofertas de emprego e estágios”, orgulha-se.
Para Juarez Tadeu de Paula Xavier, diretor da área de Comunicação Social e coordenador de eixo dos Cursos Tecnológicos da área de Comunicação Social da Universidade Cidade de S.Paulo, o curso de Produção Publicitária acompanha as transformações do mercado da publicidade. “Ele é totalmente focado no mercado, que tem sofrido várias mudanças, como o enxugamento da estrutura das agências, a necessidade de profissionais polivalentes e o advento das novas tecnologias”, diz.
Segundo Xavier, são muitas as vantagens do curso tecnológico em relação ao bacharelado nessa área. A flexibilidade da grade, por exemplo, permite que as disciplinas respondam prontamente às mudanças de mercado. “Qualquer coisa nova na área de produção publicitária pode ser incorporada imediatamente. O curso respira tão próximo ao mercado que permite essa sintonia fina”, garante o coordenador. “Já no primeiro semestre, o aluno consegue pensar no processo de comunicação, diferentemente dos alunos do bacharelado, que se concentram em atividades teóricas nos dois primeiros anos”, diz. “Acredito que isso vai ao encontro da necessidade do mercado hoje. Ele precisa de um profissional polivalente, que arregaça as mangas, resolve problemas e dá alternativas”, diz.
Vasco Pinheiro, de 18 anos, aluno da Unicid, escolheu o curso por conta da carga horária. “O curso também me permite fazer pós depois de dois anos”, diz. No primeiro ano, no entanto, o aluno descobriu que a troca de experiências na classe é uma das maiores vantagens. “Tem muito aluno que trabalha na área. E conviver com profissionais da publicidade é bom porque tenho a possibilidade de ver como o que aprendemos em classe é usado no mercado. Sem contar que é mais fácil de conseguir emprego, porque tenho muitos contatos”, avalia.
Onde está o emprego:O mercado publicitário ainda é mal distribuído no país, concentrando-se principalmente no eixo Rio-São Paulo. Mas há outras regiões, como o Sul e o Nordeste, que têm carência de profissionais dessa área. O salário médio inicial é de R$ 1.000.
Rádio e TV
A chegada da TV digital ao Brasil aquece o mercado para esse profissional, que lida com técnicas de criação e produção de programas para mídia eletrônica. Ele elabora, produz e edita peças para serem veiculadas tanto no rádio como na TV e se encarrega da realização de roteiros que dão suporte ao um locutor. Em produtoras independentes de vídeo, trabalha tanto na área de produção como na de administração do negócio. Também pode atuar em agências de propaganda. As aulas práticas compõem cerca de 70% do currículo do curso e incluem matérias como realização de roteiros para TV, discurso musical e sonoplastia, edição de som e imagem, tecnologia em rádio e TV e mixagem de áudio.
Onde está o emprego: São Paulo e Rio de Janeiro concentram as melhores chances de trabalho, mas há também boas perspectivas em filiais de grandes emissoras (Globo e Bandeirantes, por exemplo) localizadas em cidades do interior paulista, como Campinas, São José dos Campos e Mogi das Cruzes. No Nordeste, o mercado é carente de profissionais qualificados. O salário médio inicial é de R$ 1.500.