O todo poderoso do mundo da informática, Bill Gates, dono da Microsoft, previu que dentro de cinco anos vamos todos rir da forma como vemos televisão hoje. É uma declaração que parece presunçosa, mas na verdade aponta para uma realidade que já é o presente: a tecnologia e a informática adentraram todos os espaços e revolucionaram a forma de lidarmos com o mundo, inclusive no âmbito privado.
Pense bem: há 30 anos era difícil imaginar uma sociedade que trocasse vídeos por e-mail ou tivesse um site de buscas como exemplo de empresa de sucesso. Mas aconteceu. A internet tornou-se uma das mídias mais importantes do mundo, e levou à transformação de outros de veículos de comunicação, como a televisão, o jornal e a revista. Ela acelerou o processo de modernização desses canais e abriu novos horizontes para a comunicação de maneira geral.
Essas transformações tornaram evidente às empresas a necessidade de buscar profissionais capazes de lidar com as tecnologias e melhorar não só os processos produtivos das empresas, mas sua imagem no mercado. Um caminho era lapidar estudantes que estavam em vários cursos de graduação mas sem o foco tecnológico, como Arquitetura, Engenharia ou Publicidade. Outro, era formar um novo tipo de profissional.
Para atender a esta demanda crescente, foram criados cursos unindo tecnologia, informática e comunicação. Neles, os alunos são preparados para criar projetos de tecnologia, desenvolvê-los, implantá-los e avaliar os resultados. As aulas são dadas por professores que atuam no mercado, e recursos tecnológicos de todo tipo estão sempre à disposição.
A intenção, segundo Celso Poderoso, coordenador do curso de Internet (Tecnologia em Administração e Desenvolvimento para Internet) da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), é simular a vivência do dia-a-dia, para que o aluno chegue mais bem preparado ao mercado. “Queremos formar profissionais que não só tenham conhecimento teórico, mas saibam pensar a melhor forma de usar cada um dos recursos existentes”, diz Poderoso.
Análise e Desenvolvimento de Sistemas
Se a automação atingiu diretamente os trabalhadores do setor industrial, a informatização afetou todos as áreas, em maior ou menor escala. Por esse motivo um profissional capaz de analisar e desenvolver sistemas que tornem a empresa mais produtiva, diminuindo custos e aumentando a velocidade de seus processos, é extremamente visado no mercado.
A formação do aluno de Análise e Desenvolvimento de Sistemas tem o objetivo de oferecer essa habilidade. Esse profissional é capaz de elaborar estratégias de integração entre as diferentes tecnologias e sistemas, além de desenvolver soluções novas quando forem necessárias. “O objetivo é atuar como um integrador entre essas duas áreas”, diz Sandra Puga, coordenadora do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade IBTA(, em São Paulo (SP).
Pelo caráter inovador e tecnológico do curso, é comum encontrar o uso de educação a distância na grade horária. Dessa forma, o aluno tem uma flexibilidade ainda maior para estudar, o que ajuda muito quem já trabalha na área e dispõe de menos tempo para se dedicar ao curso.
A proximidade com o mercado de trabalho é uma necessidade. “Por isso fazemos questão de ter professores atuantes no mercado de trabalho, e a maioria das aulas são estudos de caos”, explica Sandra. Segundo Fábio Alcântara Azevedo, 27 anos, aluno do segundo semestre, a oferta de empregos é farta. “O mercado precisa de profissionais qualificados na área, por isso é fácil arrumar emprego”, diz. A alta demanda eleva o salário. Porém, a exigência por uma qualificação elevada exige atualização constante.
Onde está o emprego: O mercado de trabalho concentra-se em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ). Como pólo secundário, há Curitiba (PR). Na área de pesquisas, a região Sul é bastante forte. O salário médio inicial gira em torno de R$ 1.500.
Gestão da Tecnologia da Informação
Atualmente, raras empresas de médio e grande porte sobrevivem sem um setor responsável pela tecnologia da informação, tratada de forma abreviada como TI. Com a informatização e a adoção de sistemas computacionais nos processos produtivos e administrativos, a gestão de projetos e os sistemas passaram a fazer parte da infra-estrutura das corporações. Nesse contexto, é fundamental ter profissionais capazes não só de lidar com a tecnologia propriamente dita, mas principalmente de atuar com bons profissionais e selecionar as melhores práticas. E esse é um dos principais papéis do Gestor de TI.
O perfil desse profissional é mais gerencial do que técnico, embora o conhecimento sobre tecnologia seja imprescindível. Na prática, ele vai precisar compreender o mercado da empresa e definir os melhores canais de comunicação com seus públicos internos e externos, tomando como base as possibilidades tecnológicas e a estratégia da empresa. Ou seja, ele tem uma atuação ampla na área, mas com foco nos aspectos gerenciais e analíticos.
Para atender a essa demanda, o curso procura desenvolver no aluno competências para a tomada de decisões estratégicas sobre a adoção de tecnologias ou a manutenção de processos existentes. Boa parte dos estudantes são pessoas que já atuam no mercado e procuram uma qualificação que lhes dê conhecimento e reconhecimento profissional.
No entanto, a proximidade do curso com a alta tecnologia e o mercado de trabalho não impede a formação acadêmica do aluno, segundo Air Rabelo, coordenador do curso da Universidade Fumec, em Belo Horizonte (MG). “A formação é bastante ampla, o que dá condições ao aluno de levantar necessidades, estabelecer e executar metas dentro das corporações.”
O tecnólogo pode trabalhar em empresas que possuem um setor de TI ou necessitem de prestação de serviço nessa área. Entre as funções exercidas por ele estão gerenciar projetos, analisar e selecionar tecnologias para implantação, liderar equipes e aprimorar processos.
Onde está o emprego: Com a tendência de informatização de todos os setores, o campo é vasto. Mas o foco está no Sudeste, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. O salário médio inicial é de R$ 2.000.
Internet
Dá para imaginar uma empresa atual desconectada do mundo (da internet)? Não mais. Negócios e redes de informações por computador tornaram-se conceitos intimamente relacionados, e o mais simples e menor dos negócios precisa estar na rede para sobreviver.
Na hora de preparar sites e elaborar conteúdos estratégicos, os empresários podem contar atualmente com os profissionais formados pelos cerca de 145 cursos tecnólogos da área, que têm visão estratégica sobre a rede e os negócios possíveis com o uso dessa mídia. “Preparamos profissionais capazes de compreender estes novos modelos de negócios, empregando alta tecnologia e conhecimento para a criação, manutenção, segurança e gerenciamento de sites e portais”, explica Celso Poderoso, coordenador do curso de Internet (Tecnologia em Administração e Desenvolvimento para Internet) da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap).
O campo de trabalho desse profissional passa pelos aspectos visuais e técnicos da web. Além de poder trabalhar como designer, o aluno tem a possibilidade de transformar-se em um desenvolvedor web, especialista nas tecnologias específicas dessa mídia. A Internet 2.0, com muito mais possibilidades de interação e interface, parece ser mais uma mostra de que o mercado está em alta. As novas aplicações deverão ser alvos dos profissionais dessa área nos próximos anos. “O mercado quer e precisa de pessoas competentes para atuar nesta área em franco crescimento”, frisa Poderoso.
Para David Paniz, de 20 anos, aluno da Fiap, o curso tecnólogo oferece a vantagem de obter o diploma e entrar no mercado de trabalho mais rapidamente. Porém, segundo ele, não dá para ficar parado depois, porque a atualização deve ser constante. “O curso de dois anos pode parecer de preguiçoso, mas é bem ao contrário, pois estudamos de forma mais concentrada, e sabemos que esse processo nunca pára, porque é um campo onde a cada minuto surge uma novidade.”
Bruno Luiz Repiso, de 20 anos, também aluno da Fiap, destaca a importância que a internet e outros meios digitais ganharam como veículos de publicidade em função da retirada de outdoors, como aconteceu com São Paulo (SP). “Isso significa que todas as empresas e instituições públicas e privadas precisarão cada vez mais de profissionais gabaritados”, prevê.
Onde está o emprego: A concentração está no Sudeste, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, e em algumas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Mas o Nordeste, mais precisamente, Pernambuco, tem sido um grande pólo de desenvolvimento e absorção de mão-de-obra. O salário médio inicial é de R$ 1.500.
Jogos Digitais
O faturamento da indústria de videogames, estimado em US$ 25 bilhões em 2006, superou os números de Hollywood e tudo indica que ela só vai crescer. Recentemente, os jogos online tornaram-se ainda mais populares com a febre dos jogos em rede, que permite um número infinito de participantes reunidos em um mesmo site da internet. Ou seja, os games passaram a ter o quase infinito espaço da web para explorar todo o seu potencial. Second Life é o fenômeno mais recente. O “simulador de vidas” ganhou um destaque tão grande que muitas empresas começaram a criar “filiais” dentro do jogo. Hoje, a brasileira Petrobrás tem filiais virtuais, e a maior agência de notícias do mundo, a Reuters, abriu uma redação que só existe no jogo e um site com notícias direto do mundo virtual.
Diante de um mercado tão crescente, tanto no mundo do entretenimento quanto dos negócios, a demanda por profissionais capazes de aproveitar esse sucesso é enorme. Um curso de jogos digitais era impensável no Brasil há alguns anos, pela falta de tecnologia e investimentos. Hoje, com um mercado cada vez mais recheado de celulares, mp3 players, computadores de bolso, além dos tradicionais computadores caseiros e videogames, os profissionais que produzem jogos são de fundamental importância. Por isso, o mercado de trabalho do profissional dos games aumentou muito nos últimos anos. Principalmente porque as empresas da área aprenderam a obter patrocínios para colocar em prática seus projetos, como as grandes produtoras cinematográficas.
O profissional de jogos eletrônicos deve saber olhar as tendências do mercado para elaborar estratégias para a criação de novos jogos ou para a conservação de recursos dos projetos. A cobrança por qualidade não vem apenas das empresas produtoras ou dos patrocinadores. “Esse profissional lida com exigências altíssimas, pois hoje qualquer criança não admite e não tem interesse em um jogo que tenha bonequinhos simples com movimentos limitados”, alerta Lucia Contente Mós, coordenadora do curso do Centro Universitário Paulistano (Unipaulistana), na capital paulista. “A partir dessa exigência, nós temos que montar um curso que dê uma ótima qualificação profissional”, afirma.
Onde está o emprego: Há empresas de jogos na Região Sul, mas o Sudeste, Norte e Nordeste estão em expansão. Como a presença física na empresa não é mais fundamental, há sempre a possibilidade de trabalho remoto. O salário médio inicial é de R$ 15 a R$ 20 por hora.
Materiais, Processos e Componentes Eletrônicos
A ampliação do mercado de sistemas móveis de comunicação, coloca esse profissional em evidência. Ele lida com dispositivos empregados na codificação e emissão de dados em equipamentos eletrônicos – aparelhos de TV, computadores e telefones celulares –, como chips, resistores, capacitores, indutores, semicondutores, diodos e circuitos integrados. Pesquisa e desenvolve vários materiais, como cerâmicas, metais, ligas, óxidos e isolantes, bem como aplica tecnologias sofisticadas na montagem de componentes. No curso, há matérias básicas como física, informática, estatística, cálculo diferencial e integrado. Depois começam as disciplinas específicas, como fabricação de componentes eletrônicos, circuitos impressos, integrados e híbridos e microeletrônica. O estágio, apesar de não ser obrigatório, é recomendável.
Onde está o emprego: A capital paulista e cidades do interior do estado, como Campinas, Jundiaí e São José dos Campos, absorvem a maior parte dos profissionais, já que concentram um número grande de empresas do setor. O Sul também possui boa demanda. Manaus (AM), no norte do país, é outro tradicional empregador do profissional. O salário médio inicial é de R$ 1.500.
Redes de Computadores
A constante modernização dos sistemas de computadores tem gerado uma farta oferta de emprego para esse profissional, que atua em projetos e na construção de computadores pessoais, de empresas e de produção automatizada, além de executar manutenção preventiva e corretiva. É parte de suas funções, ainda, participar do desenvolvimento de projetos e da instalação de redes de computadores, decidindo pelo tipo e pelo número de unidades e por sua configuração e programas. Também gerencia, controla e projeta a segurança das redes de computadores nas empresas.
Há nomes diferentes para os vários cursos dedicados a formar esse profissional, mas o currículo de todos é basicamente o mesmo. Nas aulas práticas, que ocupam boa parte do currículo, aprende-se análise de circuitos, eletrônica digital, microprocessamento, linguagens de programação, fundamentos de telecomunicações, segurança de sistemas computacionais e projeto e instalação de redes. Como muitos desses tecnólogos resolvem trabalhar como autônomo ou abrir o próprio negócio, a maioria das escolas oferecem disciplinas ligadas à administração e à gestão.
Onde está o emprego: Grandes centros urbanos dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná oferecem as melhores oportunidades de trabalho. Há boa procura também no Nordeste, principalmente na Bahia, em Pernambuco e na Paraíba, e em Brasília. O salário inicial está na faixa de R$ 1.200.
Telecomunicações
Estamos vivendo a era da comunicação de uma forma nunca vista. Se você pensar agora em falar com alguém na China, por exemplo, você terá várias possibilidade: ligar do celular ou do telefone, mandar um e-mail, enviar um torpedo ou fazer a ligação telefônica diretamente por meio do computador!
As informações circulam tão rapidamente que não é preciso mais que alguns minutos para que uma notícia chegue a todos os cantos do mundo. As opções são infinitas e deixam claro que não há mais barreiras para a comunicação. Segundo a revista Teletime News, esse setor teve uma receita bruta de R$ 143,8 bilhões no Brasil em 2006. Boa parte disso se deve ao avanço da telefonia celular. Em 1999, o Brasil tinha 7,7 milhões de linhas de telefones celulares. Em 2007, o número aumentou para 100,7 milhões.
Por isso, campo é o que não falta para o tecnólogo em Telecomunicação. Isso faz dessa carreira uma das mais procuradas pelos estudantes que optam pelo caminho dos cursos superiores de curta duração. “É realmente muita demanda, até já mudamos de endereço para aumentar o espaço para as classes, porque o antigo não comportava”, conta Rui Cordova Borges, coordenador do curso da Faculdade de Tecnologia de Curitiba (Fatec-PR). Nessa instituição, empresas conveniadas patrocinam laboratórios para que o aluno se mantenha ligado ao mercado de trabalho enquanto se capacita. “Esses laboratórios possibilitam a utilização dos mais modernos equipamentos e a vivência no mundo empresarial”, assegura Borges.
Segundo ele, o aluno do curso costuma ser jovem e já estar atuando na área. Isso acontece porque as empresas absorvem, mesmo antes da graduação, esses estudantes como estagiários. “A visão da área apresentada é mais restrita do que a estudada pelo bacharel, mas o tecnólogo ganha em aproximação com as empresas do ramo e a praticidade de obter um diploma em apenas dois anos”, comenta.
Entre as atividades que podem ser exercidas por esse profissional, destacam-se a manutenção, integração, inspeção, consultoria e perícia de telecomunicações. Mas o perfil do aluno não precisa ser técnico. Há outras funções que podem ser exercidas, ligadas à instalação e à manutenção, como elaboração de planejamento de implementação ou reformulação da infra-estrutura de telecomunicações, realização de pesquisas em laboratórios de eletrônica e atuação em equipes de projetos de sistemas de transmissão de sinais via cabo, rádio e satélites.
Onde está o emprego: Os novos pólos industriais brasileiros das regiões Norte e Nordeste são hoje mais interessantes do que o Sudeste, já saturado. O salário inicial está na faixa dos R$ 1.500.