Promover o bem estar das pessoas deixou de ser um ato de bom samaritano. Essas ações preenchem uma necessidade do ser humano, que precisa sentir que está se desenvolvendo, se divertindo, relaxando e ganhando novas experiências. Por isso, o investimento das empresas, do governo e da sociedade civil em programas que incentivem o desenvolvimento social e o lazer nunca foi tão grande. Ler um bom livro ou ver um DVD, desenhar ou assistir a um filme na televisão é apenas a faceta doméstica da coisa. Lá fora o mundo explode de opções interessantes, saudáveis, culturais e divertidas, que podem custar algum dinheiro ou, em alguns casos, ser totalmente gratuitas.
O fato é que já não há mais dúvida da necessidade desse bem estar para cada cidadão se tornar produtivo e equilibrado na vida pessoal. Basta ver a atuação das ongs atualmente para notar como pensar no bem estar do próximo é uma prática cada vez mais geral. E trabalhar com isso, hoje, rende dinheiro, porque o setor se profissionalizou e emprega muita gente. Quanto ao lazer, é curioso ver que, por trás de toda opção de lazer, tem sempre uma equipe de profissionais que trabalha muito. Afinal, alguém precisa preparar, organizar e pôr em prática todas as alternativas que nos são oferecidas na hora do merecido descanso. É o caso do pessoal que trabalha com gastronomia e hotelaria, dos gestores de turismo e dos promotores de atividades de esporte e lazer. E boa parte desse contingente pode ser formada por cursos tecnólogos.
Desenvolvimento Social
O profissional capacitado para o desenvolvimento social investiga, planeja, avalia e monitora programas e projetos que visam à melhoria da qualidade de vida das pessoas e à integração dos indivíduos na sociedade. Cabe a ele realizar campanhas de saúde, educação, meio ambiente, alimentação e apoio, em geral a grupos específicos, como crianças, adolescentes e idosos. O curso traz disciplinas básicas para formação humanística com foco na realidade brasileira, como sociologia, filosofia e políticas públicas de desenvolvimento. Nos anos seguintes, o currículo tem matérias específicas, como tradições populares, educação para a saúde, movimentos sociais e desenvolvimento sustentável.
Onde está o emprego: Boas perspectivas de trabalho em instituições públicas de todo o Brasil. Também há vagas em todo o país, especialmente no Sudeste, em organizações não-governamentais e empresas. Nessa região, cresce também a procura por especialistas na área de gerontologia. O salário médio inicial é de R$ 1.000.
Esporte e Lazer
O tecnólogo em Esporte e Lazer trabalha para melhorar e garantir o condicionamento físico, o bem-estar e a saúde das pessoas, por meio de programas de exercícios e práticas esportivas. Como tem conhecimentos em gestão, ele supervisiona e administra a realização de atividades físicas e de lazer em organizações desportivas como clubes e academias, além de organizar e monitorar grupos de recreação em hotéis, associações, resorts e spas. Pode, ainda, prestar atendimento individualizado, como personal trainer.
Onde está o emprego: Há ofertas de vagas em todo o país, mas disputadas com os profissionais formados em Educação Física. Na Região Sudeste, os principais empregadores são academias, clubes e associações de terceira idade. Nas regiões Sul e Nordeste, onde a indústria turística é forte, há um campo para atuar no entretenimento dos hóspedes. O salário inicial médio é de R$ 1.000.
Gastronomia
Juntar ingredientes e transformá-los em um prato gostoso e bonito é uma arte que exige conhecimentos variados, da mais simples habilidade para reconhecer sabores e cheiros a partes complexas da química. Envolve também estética, bom gosto e bom senso para confeccionar opções que saltam aos olhos e ao paladar, sempre com um toque pessoal. Hoje, a gastronomia tornou-se um hábito prazeroso, que levou até muitos homens para a cozinha. Os apaixonados pelos bons pratos querem ter boas surpresas em restaurantes, investem nessa atividade quando viajam, curtem cada garfada. São, enfim, novos tempos para os profissionais de gastronomia, que podem estar tanto em um restaurante cinco estrelas quanto em frente a um forno de uma padaria, produzindo com capricho a sagrada mistura de farinha e água, quentinha, à qual ninguém consegue resistir.
Fazendo um curso de Tecnologia em Gastronomia, o aluno ganha capacitação para atuar em quaisquer setores do ramo de alimentação – de restaurantes, cafés e empresas de alimentos a empresas que organizam cardápios de eventos e festas.
José Carlos Welff, coordenador do curso de Tecnologia em Gastronomia da Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha (ES), afirma que o mercado encontra-se em plena expansão, exigindo cada vez mais profissionais qualificados: “Por isso mesmo, a procura por nosso curso é muito grande, com preenchimento total das vagas”. E isso no Espírito Santo, que ainda está despontando no cenário gastronômico do país.
Com dois anos de duração, o curso oferece, além das matérias teóricas, aulas práticas nos laboratórios de cozinha da faculdade, onde os alunos literalmente põem a mão na massa, aprendendo desde as receitas mais básicas da cozinha até as mais sofisticadas, como algumas da culinária francesa. Para o aluno Mario Luis Martins de Almeida, 55 anos, engenheiro civil aposentado, atualmente no 3º período do curso, a decisão de voltar a estudar foi baseada no prazer de se aprofundar na arte da culinária. “Descobri coisas que nem imaginava existir, como detalhes da história da gastronomia, matéria pela qual me apaixonei”, comenta. “Além disso, algumas atividades nos laboratórios, como o de confeitaria, são totalmente novas para mim. Sempre gostei de cozinhar, mas agora estou aprendendo detalhes aos quais nunca me ative”, conta.
A gama de atividades do tecnólogo em Gastronomia é bem vasta. A bancária aposentada Matilde Barbosa Gonçalves, 52 anos, colega de classe de Mario, descobriu que pode atuar, por exemplo, em projetos ligados ao resgate da gastronomia em determinados locais. “Procurei o curso por satisfação pessoal. Como sempre gostei muito de cozinhar, achei que seria o aprendizado perfeito. Mas, durante o curso, fui vendo que não precisamos ficar apenas atrás de um fogão, porque com o conhecimento adquirido podemos revitalizar algumas regiões apenas transformando sua gastronomia. Esta área tem me interessado bastante, e é uma boa opção a ser seguida quando eu me formar, no fim deste ano”, conta.
Onde está o emprego: Nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e os locais com grande potencial turístico. O salário inicial depende muito do mercado em que o profissional estiver atuando. No eixo Rio-São Paulo, fica em torno de R$ 2.000. Nas outras regiões, em torno de R$ 1.000.
Gestão de Turismo
Viajar é uma delícia, e conhecer o mundo todo figura entre os sonhos de muita gente. Quando pensamos no curso de Turismo, automaticamente o relacionamos às viagens. Mas o Turismo engloba um mercado muito maior, preparando mão-de-obra para atuar com o entretenimento de maneira geral, desde o seu planejamento, passando por todos os processos de estratégia e execução, até a sua concretização.
O curso de tecnologia em Turismo é mais voltado às necessidades do mercado de trabalho e tem como objetivo principal formar profissionais aptos a assumir cargos operacionais e de coordenação, assim que concluem a graduação. “O bacharelado é diferente, mais voltado aos aspectos científicos, à construção etapa por etapa do conhecimento do mercado de turismo”, explica Glauber Eduardo de Oliveira Santos, coordenador do curso de Tecnologia em Turismo do Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo (Cefet-SP).
Com duração de três anos, o curso oferece, em sua primeira metade, uma visão geral da área de turismo. Na metade final do curso, por sua vez, os alunos trabalham com três módulos específicos: gerenciamento de viagens, organização de eventos e marketing turístico. Nessa fase do aprendizado, eles organizam viagens e eventos completos.
Muitos alunos que já trabalham na área, mas não têm a formação superior, encontraram no curso de tecnologia uma solução mais interessante: conseguem a formação exigida pelo mercado em menos tempo. E, assim, ficam prontos para cursarem uma pós-graduação, aumentando o conhecimento e a qualificação que os empregadores exigem.
Foi o que aconteceu com André Henrique de Freitas, de 28 anos, aluno do Cefet-SP. “Trabalho há 10 anos numa operadora de turismo, mas nunca havia feito uma graduação. Sentia a pressão do mercado pela qualificação. Agora, cursando o último período do curso, tenho oportunidade de crescer dentro da empresa na qual trabalho, coisa que não aconteceria sem o diploma”, conta o aluno.
Mesmo sem ainda ter se formado, André Henrique já pensa na pós-graduação: “É o próximo passo. E é bom ver que, gastando quase o mesmo tempo que levaria para concluir um bacharelado, vou concretizar minha carreira, afunilando ainda mais meus conhecimentos na área com a pós-graduação. Com isso, poderei buscar uma colocação ainda melhor”.
Segundo o professor Glauber, o mercado de turismo no Brasil teve uma significativa retomada há cinco anos, e as vagas estão aí, à disposição dos profissionais. Para ele, é uma pena que os alunos se fechem em suas regiões de origem e estudo na hora de procurar emprego. “O Brasil é cheio de pólos turísticos, muitos deles carentes de profissionais especializados. Se os alunos procurassem oportunidades em outras regiões, certamente o mercado ficaria mais equilibrado”, conclui Glauber.
Onde está o emprego: Como o Brasil tem um grande potencial turístico, há oportunidades espalhadas por todo o país. Pólos turísticos, como o nordeste e o sudeste do país, são os mais fortes. O salário médio inicial varia de R$ 800 a R$ 2.000, dependendo da região do país e da área de atuação.
Hotelaria
O profissional de hotelaria está inserido em diversas atividades do nosso dia-a-dia. Quando você vai a um restaurante ou bar, hospeda-se em um hotel ou comparece a um evento, ele está nos bastidores. Capaz de atuar em diversos setores do segmento hospitalidade, ele adquire formação para gerenciar pessoas e participar de todos os processos envolvidos na recepção e atendimento dos clientes.
Márcia Miyazaki, coordenadora da área de Hotelaria do Centro Universitário Senac (Senac-São Paulo), que oferece o curso de Tecnologia em Hotelaria em três campi – Águas de São Pedro, Campos do Jordão e São Paulo –, explica que o objetivo principal do curso é formar profissionais para atuarem imediatamente no mercado de trabalho: “Nosso foco é aquele profissional que já trabalha na área mas não tem uma formação superior ou, até mesmo, profissionais de outras áreas que queiram mudar de carreira.”.
Para que os alunos possam aprender rapidamente os diversos processos da área de hotelaria, inclusive vivenciando-os em um curto período, já que o curso tem duração de dois anos, o Senac mescla aulas teóricas com práticas. Mantém também um intenso contato com o mercado, adaptando-se principalmente às suas exigências e necessidades.
“Oferecemos vivências nos laboratórios de alimentos e bebidas, de hospedagem e de informática, com softwares específicos da área. E, seguindo uma orientação do MEC, conforme o aluno vai avançando no curso, recebe certificações intermediárias”, explica Márcia. “No fim do segundo semestre, por exemplo, o aluno já conta com uma formação operacional; ao término do terceiro semestre, pode atuar em cargos de supervisão e, ao fim do curso, tem todo o conhecimento para gerenciar pessoas e processos”, diz.
A ex-aluna do Senac, Silvia Mara da Silva, 41 anos, que se formou em 2006, foi procurar o curso depois de quase dez anos atuando na área de alimentos e bebidas, numa rede de restaurantes. Ela já estava bem colocada, em um cargo confortável, mas se sentia cobrada por não ter uma graduação. “Muitas vezes, em reuniões ou conversas informais, sentia que minhas opiniões eram suplantadas pelas de outras pessoas que, mesmo não tendo tanto conhecimento da área quanto eu, tinham um curso superior. Isso me incomodava, e eu resolvi buscar a qualificação”, lembra.
Para Silvia, o curso foi muito importante também para ter contato com outras áreas com as quais nunca tinha lidado: “Agora, com tudo o que aprendi, me sinto menos engessada no meu campo de atuação. Sei que, se precisar mudar de área, tenho conhecimento para isso”.
Além disso, Silvia deu um salto em sua carreira, e hoje atende mais lojas como gerente de operações. “É claro que isso se deu também devido ao crescimento da empresa na qual trabalho. Mas, talvez, se eu não tivesse feito o curso, poderiam ter escolhido outra pessoa para o cargo”, finaliza a tecnóloga.
Onde está o emprego: Os empregos para os profissionais desta área estão principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e em outros pólos turísticos do país, grande parte deles na região Nordeste. O salário inicial varia muito de acordo com a área de atuação – de R$ 800 a R$ 1.600.