Com a informatização dos processos de montagem de bens duráveis, muita gente teve medo de ver seu cargo ocupado por máquinas. Logo esse temor mostrou ser infundado, já que as tecnologias precisam do ser humano para operá-las. Assim, mesmo sem estar em sua fase mais aquecida, a indústria de Máquinas e Equipamentos continua sendo uma das mais fortes do país – com um faturamento de 7 bilhões de reais só no primeiro bimestre de 2007, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a Abimaq.
A área é ideal para quem pretende lidar com novas tecnologias e deseja trabalhar na indústria de materiais pesados. “O setor industrial movimenta o país e alavanca o setor de serviços”, diz Dalmarino Setti, professor do Curso de Tecnologia em Manutenção Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). “Ele necessita de profissionais específicos para a execução das tarefas, algo que já foi exclusividade de engenheiros no passado”, afirma.
Automação Industrial
Esse tecnólogo atua nas áreas automatizadas da indústria, ou seja, aquelas em que as máquinas são o coração do processo. Ele projeta, desenvolve, constrói, instala e opera sistemas integrados eletroeletrônicos, eletropneumáticos, eletrohidráulicos e mecânicos, empregados em equipamentos e processos automatizados. Além disso, a formação o habilita a atuar na gestão de processos produtivos, no acompanhamento do desempenho de linhas de produção automatizadas, ou na especificação, programação, operação, implantação e orientação da utilização de máquinas. Ele também é capaz de especificar materiais, componentes, equipamentos e sistemas integrados, emitindo pareceres técnicos. Na prática, cada instituição de ensino coloca o foco em um tipo de atuação, o que significa que é preciso avaliar bem o programa do curso antes de optar por uma ou outra escola.
No curso superior de Tecnologia em Automação Industrial da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas (RS), por exemplo, o programa curricular concentra-se na capacitação de profissionais para o trabalho industrial. Os alunos são incentivados a conhecer e aplicar tecnologias em sistemas geradores de movimentos, controle de movimentos mecanizados, informática industrial e instrumentação.
Segundo o coordenador, Luis Carlos Espinosa Cocian, essa especialidade prática torna o tecnólogo tão desejável para o mercado quanto o engenheiro. “A indústria tem se modernizado muito porque as empresas entenderam que só assim poderão obter melhoria na qualidade de seus serviços e produtos e diminuição dos custos”, diz. “Isso tem feito o mercado se expandir cada vez mais para o tecnólogo em automação.”
Nos seis semestres, com carga horária de 2.516 horas, o aluno recebe teoria e prática em três áreas do conhecimento tecnológico: eletrônica, eletrotécnica e mecânica. Com isso, ele poderá trabalhar em setores da indústria que lidam com produções em série e manutenção de equipamentos, no desenvolvimento de produtos ou na supervisão de processos industriais. Durante o curso, o estudante terá contato com as diversas tecnologias utilizadas na área de automação e controle e aprenderá a automatizar processos desde o início. Gestão e segurança também fazem parte do currículo do curso.
Onde está o emprego: Indústrias do ramo alimentício, petroquímico, siderúrgico e metalúrgico e de papel e celulose – especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país. O salário inicial gira em torno de R$ 1.000.
Eletrônica
Muitos dos alunos que buscam essa formação já fizeram um curso técnico na área ou desejam reciclar seus conhecimentos em busca de melhores salários e colocações profissionais. Formados, eles tornam-se profissionais especializados em telecomunicações em geral e em circuitos microprocessados, que é uma área bastante ampla. Aprendem a manipular softwares e peças utilizadas na montagem de equipamentos de telecomunicações, a decodificar sinais digitais e a instalar circuitos eletroeletrônicos. Também se tornam aptos a testar a qualidade desses produtos e a planejar e instalar centrais de serviços de telefonia.
Sua atuação é importante em várias facetas das telecomunicações, como projeto, montagem, manutenção, operação e modernização de sistemas eletrônicos. Como as inovações nessa área são freqüentes, é importante que o tecnólogo se mantenha informado sobre as novas tecnologias que são desenvolvidas no exterior, a fim de viabilizá-las dentro do país. Por isso, aulas de inglês técnico fazem parte do currículo da maioria das universidades, bem como física, cálculo e estatística.
No Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), unidade Campinas, o curso de Tecnologia em Eletrônica Industrial visa formar profissionais aptos a atuar na indústria e comércio de equipamentos eletroeletrônicos, microinformática e telecomunicações, em departamentos de engenharia de desenvolvimento de software e hardware e em assistências técnicas. Nas 1.980 horas-aula que compõem o curso, o aluno estuda matérias relacionadas à eletricidade e mecânica e tem aulas direcionadas a todo o processo de sistemas eletrônicos, eletrônica industrial, sistemas de informática, rede de computadores, inteligência artificial e automação e controle de qualidade. Também fazem parte do currículo disciplinas direcionadas à gestão, como economia e segurança. O estágio também é obrigatório para que o estudante conquiste o diploma.
Onde está o emprego: Boas oportunidades em empresas de telecomunicações, telefonia, informática, revendedoras e assistências técnicas. As regiões mais aquecidas são Sul, Sudeste, Nordeste e Norte. O salário inicial é de cerca de R$ 1.500.
Manutenção Industrial
Durante muito tempo esse curso foi conhecido como eletromecânica, o que gera, ainda hoje, uma certa confusão. Mas ele continua sendo o que sempre foi: formador de um tecnólogo que planeja e executa a manutenção de equipamentos industriais.
Além da capacidade de manter a qualidade do maquinário pesado utilizado na indústria, o aluno também adquire habilidades gerenciais e pode atuar no planejamento, programação e controle das atividades relativas à manutenção. Ele aprende a fazer orçamentos de reparos, a realizar a inspeção de sistemas e a avaliar desempenhos. Isso o habilita a atuar tanto na indústria que utiliza maquinários quanto em institutos de pesquisa públicos ou privados. No final do curso, é necessário realizar um estágio supervisionado, que ajuda o aluno a ingressar no mercado de trabalho.
Adriane Busatta, 20 anos, aluna do curso Superior de Tecnologia em Manutenção Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Pato Branco, ainda não ingressou no mercado, mas está otimista. “O curso é bastante voltado para a indústria, um mercado ainda majoritariamente masculino. Mas sei que a área continua em expansão e que o mercado de trabalho é razoavelmente grande, por isso acredito que não devem me faltar oportunidades”, diz. A estudante tem razão. Indústrias de diversas áreas, desde setores petroquímicos até a área de prestação de serviços, empregam esses tecnólogos, visando manter a qualidade de seus equipamentos.
Onde está o emprego: Nas grandes indústrias e suas filiais espalhadas por todo o país, especialmente Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A remuneração inicial varia de acordo com a região, mas a média é de R$ 1.500.
Mecânica
A área de mecânica não se restringe mais a uma única modalidade de curso. Para acompanhar as mudanças e especializações do mercado, que exige profissionais qualificados para atender às diversificações e especializações das tarefas, as faculdades resolveram dividir a área em várias modalidades de graduação tecnológica, cada uma com a sua especificidade.
No curso de Mecânica de Precisão, por exemplo, o aluno aprende a projetar e instalar máquinas manuais ou automáticas que integram linhas de produção. Essa formação permite ao tecnólogo gerenciar a operação e manutenção dessas máquinas, além de desenvolver os softwares que serão usados para operar esses equipamentos.
Ainda na linha de operação de maquinário, o estudante pode optar também pelo curso de Manutenção de Máquinas e Equipamentos, no qual desenvolve habilidades para planejar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar projetos de instalação e manutenção de sistemas eletromecânicos industriais. De acordo com o Ministério da Educação, o curso é focado nas tecnologias da eletricidade e mecânica, voltadas a aplicação de técnicas de intervenções seguras nos mais diversos processos industriais, prevenindo e corrigindo falhas, além de identificar as necessidades de manutenção.
No curso de Soldagem, por sua vez, o estudante aprende a projetar todos os detalhes de construções que utilizem o método de soldagem, a consertar solda em manutenção e se torna apto a especificar materiais de adição e equipamentos de soldagem. Ele também pode fornecer parecer técnico a respeito de métodos e processos.
Na área de planejamento, o curso de tecnólogo em Projetos permite ao profissional detalhar tecnicamente os sistemas mecânicos de máquinas e motores. O aluno aprende a reconhecer os tipos de materiais utilizados em construção mecânica e os usos mais recomendados de cada um.
Nas engrenagens da grande área da mecânica também há espaço para quem é apaixonado por tecnologias avançadas, dignas de filmes de ficção científica. A Mecatrônica engloba conceitos de mecânica, eletrônica e informática e é muito mais do que construir robôs – embora esse tecnólogo também aprenda a fazer isso! Na Faculdade Senai de Tecnologia Mecatrônica, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, o aprendizado inclui tecnologias utilizadas na robótica, e os alunos deixam o curso sabendo fazer a manutenção de equipamentos eletroeletrônicos e a desenvolver produtos e soluções para a automação.
A maior parte das escolas oferece algumas dessas especialidades. É o caso da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec-SP), que conta com graduação tecnológica em Mecânica de Precisão, Processos de Produção, Projetos e Soldagem. Os cursos podem ter até 13 semestres de duração e têm carga horária que varia de 2.500 a 3.000 horas.
Onde está o emprego: Tradicionalmente nas regiões Sul e Sudeste, que concentram as grandes indústrias. Nos últimos anos o campo de trabalho também cresceu no Nordeste e em Manaus (AM), na Zona Franca. Salário inicial na faixa dos R$ 1.300.
Navegação Fluvial
Os sistemas navais fluviais e as embarcações utilizadas nesse ambiente são o foco desse profissional. Ele está capacitado para planejar e executar obras para viabilizar a navegação em rios, construir e operar embarcações e estruturas hidroviárias, controlar e operar o sistema de frete, o armazenamento e a distribuição de cargas, além de realizar vistorias nas companhias de navegação. Além de estaleiros, atua em companhias de navegação e administradoras de hidrovias. O currículo do curso inclui aulas de física, matemática, resistência dos materiais, mecânica dos fluidos e dos sólidos, economia, viabilidade dos sistemas navais e processos de construção de embarcações. As atividades práticas são desenvolvidas em estaleiros e tanques de provas.
Onde está o emprego: Empresas de construção e manutenção de navios e barcos em estaleiros, principalmente em Santa Catarina, no Rio de Janeiro e no Ceará. O mercado fluvial no norte do país, especialmente em Manaus (AM) e Belém (PA), está em crescimento. A Marinha também contrata esse profissional para vistoriar embarcações nas capitanias dos portos. O salário médio inicial gira em torno de R$ 1.700.
Produção industrial
Esse tecnólogo é um especialista em processos de fabricação, com formação equivalente à do engenheiro de produção. Sua função é aumentar e garantir a produtividade, reduzir os custos de produção e certificar a qualidade final de tudo o que é fabricado. Para isso, precisa conhecer a fundo as particularidades de cada etapa do trabalho e envolver-se com o dia-a-dia da fábrica. Ele prevê e acompanha os custos, cuida da logística de movimentação do produto na indústria, supervisiona a seleção e o tratamento das matérias-primas, controla a qualidade de processos e ocupa-se da expedição final. Os processos de fabricação, o funcionamento das linhas de produção automatizadas e os softwares para comandar as diversas etapas de trabalho na empresa são conhecidos nas aulas práticas do curso, que representam, em média, 40% da carga horária total.
Onde está o emprego: A maior demanda está em São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina. O crescimento industrial no Nordeste também abre boas perspectivas. Cidades como Camaçari (BA) e Fortaleza (CE) são carentes desse tipo de mão-de-obra. Como prestador de serviço, esse tecnólogo pode dar consultoria no planejamento de controle da produção e na gestão de recursos humanos. O salário inicial giram em torno de R$ 1.500.
Sistemas Elétricos
A energia é o material de trabalho do tecnólogo em Sistemas Elétricos. Entre as suas atribuições estão a montagem, a instalação e a operação de equipamentos de geração, distribuição, transmissão e medição de energia elétrica. Ele também faz o planejamento de sistemas de integração de iluminação, proteção, TV e redes de computadores em prédios inteligentes. Ele pode, ainda, desenvolver sistemas digitais e controles programáveis; desenvolver, instalar e operar sistemas de comando e controles eletro/eletrônicos de potência.
Cíntia Gonçalves Mendes da Silva, coordenadora do Curso de Tecnologia em Sistemas Elétricos do Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo (Cefet-SP), acredita que o futuro para os profissionais dessa área pode ser muito promissor. “Nosso objetivo é formar tecnólogos para atuar na área de mercado livre e gerenciamento de energia”, explica, referindo-se a uma lei criada em 1995, que permite que o consumidor escolha seu fornecedor de energia elétrica. Cíntia tem motivos para estar confiante: embora este mercado ainda esteja restrito a consumidores que gastam mais de 100 mil reais por mês com a conta de luz, ele vem crescendo: em 2005, apenas 7% dos consumidores de energia do país optavam pelo mercado livre. Dois anos depois, eles já eram 19%.
Segundo ela, a vantagem do aluno de um curso tecnólogo é que ele consegue entrar no mercado já entendendo como tudo funciona. “O mercado se reciclará com esses novos profissionais que estão se formando, pois eles já chegam bastante capacitados.”
Além da atuação em indústrias, nas áreas de construção civil e metalúrgica, e empresas de telecomunicações, esse profissional conquistou um novo mercado, graças à preocupação com o meio ambiente que vem norteando a política de atuação de muitas companhias. As energias renováveis, como solar e eólica, se transformaram em mais uma ferramenta de trabalho para ele. Por isso, o aluno aprende também a implementar sistemas de conservação e geração de energia alternativos e a otimizar os sistemas de manutenção elétrica, de olho na conservação do meio ambiente.
Onde está o emprego: Os melhores mercados estão nas capitais, especialmente do Nordeste, Sul e Sudeste. O salário inicial gira em torno de R$ 1.800.