Entender todos os processos pelos quais passa determinado produto, saber lidar com os materiais envolvidos e ser capaz de gerenciar cada etapa da fabricação ou obtenção de alimentos, bebidas, petróleo, gás natural, álcool e açúcar entre tantos outros produtos de primeiríssima necessidade. Esse é o trabalho do profissional formado pelos cursos de materiais e processos.
Comparados às vedetes das opções de estudo superior de curta duração, esses cursos são até pouco conhecidos. Mas já é clara a tendência ao aumento da procura por esses profissionais, pois as empresas têm necessitado e ido atrás de mão-de-obra qualificada para os processos produtivos. Ter conhecimento profundo dos materiais é uma das chaves para o sucesso de muitas empreitadas industriais. Essas carreiras, portanto, prometem crescer e oferecer mais oportunidades de emprego à medida que as indústrias e seus produtos se sofisticam e os processos precisam ser cada vez mais racionalizados.
Alimentos
Quando entramos em um supermercado e observamos aqueles pacotes, potes e latas de macarrão, iogurte e leite, por exemplo, e tantos outros alimentos que consumimos diariamente, nem nos damos conta de que, para chegarem até ali, eles passaram por processos de análise, industrialização, conservação e qualidade. Mas, sem isso, seria impossível cada um desses produtos chegar à mesa das pessoas em condições ideais para o consumo.
O curso de Tecnologia de Alimentos foi desenvolvido para criar profissionais capazes de cuidar de parte desse processo ou, dependendo de seu cargo e escolha, fazer o acompanhamento global, gerenciando ou supervisionando todas as etapas. É por esse motivo que as grades curriculares desses cursos colocam lado a lado tanto disciplinas científico-tecnológicas quanto as voltadas à ação gerencial.
Segundo o professor José Luiz de Trindade, coordenador do curso de Tecnologia em Alimentos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Ponta Grossa, a maioria das aulas são voltadas para o aspecto operacional, focadas nos processos com os quais os alunos vão lidar. “A grande diferença entre o curso de tecnologia e o de Engenharia de Alimentos, por exemplo, é que a graduação tradicional é mais voltada para o desenvolvimento de projetos e pesquisas”, explica.
Quando se forma, o tecnólogo pode atuar no acompanhamento da fabricação de alimentos, no desenvolvimento de novos produtos ou na implantação de processos de qualidade dentro das empresas. “Durante o curso, o aluno também recebe orientação sobre como lidar com os resíduos. Há aulas de gestão ambiental, que é uma parte muito importante de todo o processo”, afirma o professor Trindade.
A aluna Elisângela Serenato Madalozzo, 21 anos, do 5º período de Tecnologia de Alimentos da UTFPR, estagiou em uma empresa fornecedora de marmitas. “Eu acompanhava a nutricionista responsável desde a chegada da matéria-prima, para checar a qualidade e o estado de conservação, até o momento em que as refeições ficavam prontas e eram acondicionadas em embalagens especiais”, conta. Elisângela é uma exceção em sua turma. Enquanto a maioria de seus colegas quer trabalhar nas indústrias de grande porte da região, como Batavia, Sadia ou Perdigão, acompanhando o desenvolvimento de novos produtos, ela pensa na carreira acadêmica: “Acho que será bom porque se abrem ainda mais possibilidades”, justifica. “Como tecnóloga, tenho experiência prática e posso atuar em indústrias. Como acadêmica, poderei dar aulas e aprofundar meus conhecimentos”, finaliza.
Onde está o emprego: As maiores empregadoras são as indústrias alimentícias, localizadas principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país. A média inicial de salário é R$ 1.000.
Materiais
Com conhecimentos sólidos em matemática, química e física, esse tecnólogo desenvolve e processa materiais cerâmicos, poliméricos e metálicos. Em parceria com engenheiros de materiais, faz o controle de qualidade, lidando com tecnologia de ponta, em laboratórios. Na linha de produção, busca a solução de problemas que ocorram durante o processo industrial e nos equipamentos empregados. Pode, ainda, gerenciar a área organizacional, cuidando da administração de pessoal e de qualidade.
Onde está o emprego: Embora o Sul e o Sudeste concentrem o maior número de vagas, o desenvolvimento industrial de Goiás e da Bahia eleva a possibilidade de emprego para o tecnólogo nesses estados nos próximos anos. Ele é muito requisitado em empresas que trabalham com plástico, em substituição ao metal e ao vidro, como a Tramontina, com fábricas no Rio Grande do Sul, no Recife (PE) e em Belém (PA), a Suzano Petroquímica, com unidades em Mauá (SP), Duque de Caxias (RJ) e Camaçari (BA), e indústrias transformadoras de plásticos, como Martiplast, sediada em Caxias do Sul (RS).
Organizações não governamentais (ONGs) também estão à procura desse tecnólogo para atuar no desenvolvimento de novas técnicas de reciclagem de materiais. Especialistas em cerâmica são requisitados por fábricas de pisos e revestimentos. O salário médio inicial é de R$ 1.500.
Mineração, Petróleo e Gás
Diariamente, os jornais trazem matérias e reportagens sobre questões relacionadas a petróleo, gás natural e recursos minerais, como ferro, níquel e cobre. Por que será? É simples. São materiais vindos diretamente da natureza que fazem parte da infra-estrutura econômica de qualquer país. Por isso mesmo, ainda que a economia de uma nação se volte para serviços, ela jamais poderá deixar de lado essa base.
O petróleo, por exemplo, continua sendo um dos produtos mais cobiçados do mundo, e o Brasil alcançou a auto-suficiência neste quesito. Isso significa que a Petrobras não só aplicou muitos recursos nesse setor nas últimas décadas como continuará a promover o desenvolvimento da área, com investimento em equipamentos e pessoas. Mas, acima de tudo, ela precisa de ótimos especialistas, que tornem a produção ainda mais eficiente e com alto padrão de qualidade.
Na hora de optar por um curso nessa área, é bom certificar-se de qual é o seu foco, pois pode ser voltado para a gestão ou para a exploração do recurso. No primeiro caso, a preocupação é a administração do negócio. Já no segundo, o profissional trabalha diretamente com as fontes do minério.
Os cursos da área de petróleo duram em média três anos e formam profissionais aptos a monitorar e executar a prospecção, extração, beneficiamento, produção, armazenagem e comercialização do produto e seus derivados. Em geral, encontram trabalho em refinarias, plataformas, terminais e empresas de comércio do setor. Segundo o professor Welington Ataide Gonçalves Oliveira, coordenador do curso de Tecnologia em Petróleo e Gás da Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha (ES), os alunos passam os três anos estudando pesado disciplinas que vão de geologia, ciências ambientais e segurança ambiental a construção e reparos de equipamentos. “Além disso devem estudar inglês, porque irão lidar com especialistas internacionais o tempo todo”, completa.
O esforço vale a pena porque, segundo as estimativas, oportunidades de trabalho não irão faltar – e no Brasil todo. Para se ter uma idéia, basta dizer que, de 2005 a 2007, a Petrobrás, que explora tanto petróleo quanto gás natural, aumentou seu número de trabalhadores com nível de ensino técnico e superior de 40.541 para 49.990. A maior parte dessa mão de obra qualificada trabalha em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Isso tem levado até profissionais com carreira consolidada a se interessar por este setor. Um exemplo é Nivaldo Palhano de Souza, de 52 anos, aluno da Faculdade Novo Milênio. Após 15 anos de atuação na área de telecomunicações, ele voltou aos bancos escolares para estudar petróleo. “É fascinante, e o campo de trabalho não podia ser melhor. Vou aprender, entender como funciona cada processo, e, depois, quem sabe, abraço de vez esse novo caminho”, diz.
Para ele, o advento dos cursos de tecnologia é uma oportunidade maravilhosa de se capacitar. “O tecnólogo sai pronto para atuar, pois ele aprende exatamente o tipo de atividade que vai exercer. Alguns colegas mais jovens têm medo de que o mercado não os receba como profissionais capacitados devido à curta duração do curso. Isso é falta de informação”, conclui.
Já o curso de Mineração coloca a mira em outros tipos de recursos minerais que povoam o rico subsolo brasileiro. O estudante aprende a realizar pesquisas para que se busque a opção mais econômica e viável de explorá-los. Entre as disciplinas estudadas estão química, física, matemática e tratamento de resíduos. A gemologia, que ensina a identificar as pedras preciosas e semipreciosas, também faz parte da grade curricular.
Onde está o emprego: Principalmente nas regiões onde o mercado está aquecido, como é o caso do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Bahia e São Paulo. O salário médio inicial é de R$ 1.500.
Papel e celulose
Quem se forma neste curso habilita-se para gerenciar todas as etapas de produção em indústrias de papel e celulose e em fábricas de reciclagem. Além de conhecimentos de engenharia florestal e química, o profissional tem noções de automação industrial para operar os equipamentos. São de sua responsabilidade também o controle de resíduos poluentes e o gerenciamento de custos e qualidade do processo.
A fase profissionalizante do curso dá destaque às matérias de química orgânica e analítica. Inclui ainda técnicas de fabricação de polpa e papel, reciclagem, controle e automação industrial. O curso também aborda técnicas de gestão ambiental, como a racionalização de matérias-primas para reduzir os impactos ao meio ambiente. Por fim, a etapa de formação humanística enfatiza a administração, em disciplinas como gestão de custos e planejamento estratégico.
Onde está o emprego: As regiões Sul e Sudeste, onde estão os grandes fabricantes de papel e celulose, oferecem as melhores oportunidades. Nos próximos anos, deve crescer a demanda também no estado da Bahia, onde vários fabricantes de papel estão se instalando. O salário médio mensal é de R$ 1.500.
Produção de Bebidas
Nada como uma taça de um bom vinho, um licor caprichado ou uma cachaça de boa qualidade... São prazeres que sempre fizeram parte da vida do homem urbano e rural, e ganharam maior sofisticação no mundo moderno. O Brasil não ficou de fora. Com a importação de algumas marcas e a modernização das vinícolas e alambiques, algumas marcas brasileiras ganharam status e até se tornaram grifes nacionais.
Segundo a Datamark, empresa que realiza pesquisas sobre a indústria de bens de consumo no Brasil, o consumo interno de cachaça no Brasil é de cerca de 5,6 litros por pessoa ao ano. O vinho é menos consumido: 1,8 litro por pessoa, segundo a União Brasileira de Vitivinicultura.
Mas o mercado tem feito grandes esforços para que este último número cresça, apesar de estar ainda muito distante de nosso vizinho, a Argentina, onde se consome 50 litros per capita ao ano. Mas a questão atual é a exigência do consumidor. Muitos interessam-se pelos processos produtivos e sabem a diferença entre o que há na garrafa de um produtor cuidadoso e de outro nem tanto. E só quem trabalha com bebida sabe como o capricho em cada momento da fabricação é determinante para o resultado final. Entender e aprender todos os passos desse processo é o objetivo de dois cursos tecnólogos na área de produção de bebidas: o de Produção de Cachaça e o de Viticultura e Enologia.
Em Produção de Cachaça, o aluno é capacitado para atuar nas diversas etapas da produção do aguardente, do plantio da cana-de-açúcar, passando pela moagem, análise do caldo, fermentação, destilação, chegando até o armazenamento. O único curso do gênero no país fica na cidade de Salinas, no norte de Minas Gerais, famosa pela alta concentração de alambiques – são mais de 50 marcas na região.
Ministrado pela Escola Agrotécnica Federal de Salinas (EAFSalinas), o curso existe há dois anos e é muito freqüentado por filhos de produtores da região. “Mas há também muitas pessoas que já trabalham com isso e chegam em busca de uma formação técnica melhor ou conhecimentos para montar seus próprios alambiques”, comenta o professor Oswaldo Guimarães Filho, coordenador do curso. São oferecidas 32 disciplinas, como química orgânica, cultivo da cana-de-açúcar, moagem, preparação do caldo e aproveitamento de resíduos. A partir do quarto semestre, começa o estágio obrigatório de 240 horas. “Isso, mais as aulas de laboratório, dão uma vivência muito importante para o estudante”, completa o professor.
Princípios parecidos regem o curso de Viticultura e Enologia, voltado para a produção de vinho, oferecido por duas escolas: o Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gonçalves (Cefet-BG), no Rio Grande do Sul, e o de Petrolina (Cefet-Petrolina), em Pernambuco. O mais antigo, o do Cefet-BG, capacita mão-de-obra para as inúmeras vinícolas da região, as mais importantes do país. O aluno também é preparado para tornar-se um somelier, profissional com habilitação para trabalhar na indicação dos melhores vinhos para cada situação. Os estudantes têm aulas de análise sensorial, para avaliar cor, sabor, consistência, aroma e outras características do vinho. Ao obter o diploma, eles podem trabalhar tanto em vinícolas quanto em empresas, lojas e supermercados que utilizam ou revendem vinhos, como consultores. Alguns chegam até a atuar diretamente com os consumidores, orientando-os em suas escolhas, em restaurantes e hotéis.
O Cefet-Petrolina, por sua vez, está localizado em uma região onde atualmente está boa parte da produção vinícola do país. “A maioria da mão-de-obra de nossas vinícolas vem de fora. Há uma rotatividade muito grande nas empresas, e a necessidade de profissionais especializados é imensa”, conta Luciano Manfroi, coordenador do curso. Segundo ele, além do vinho, há muita demanda para a produção de suco de uva: “O aluno aprende a trabalhar com toda a cadeia produtiva da uva e, com isso, expande sua área de atuação”, diz.
Onde está o emprego: Das 30 mil fábricas de cachaça que existem no país, 8.500 estão em Minas Gerais (30% delas localizadas no norte mineiro). Na área de Viticultura e Enologia, os estados que mais oferecem oportunidades de trabalho são, pela ordem: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pernambuco. O salário médio inicial é de R$ 1.400.
Produção Moveleira
O crescimento das exportações de móveis para locais como França, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido aumentou a procura por esse tecnólogo, que projeta e administra as atividades produtivas e supervisiona os métodos e os materiais empregados na fabricação desses objetos. Nas empresas, ele dedica-se ao controle de qualidade do produto final, à pesquisa e à implantação de novas tecnologias ou à manutenção de maquinário e instalações. Pode, ainda, trabalhar no desenho de peças e no desenvolvimento de produtos. Ou em atividades voltadas para marketing, vendas e serviços de assistência ao consumidor.
Boa parte da carga horária do curso é cumprida em laboratórios de desenvolvimento de produtos, de testes químicos e mecânicos e em oficinas de usinagem e pintura. O currículo inclui, ainda, disciplinas da área administrativa, como controle de custos e qualidade, gerência de recursos humanos, marketing e gestão do design.
Onde está o emprego: Empresas como Todeschini, Dellano e Florense, instaladas no pólo moveleiro do Rio Grande do Sul, são as que mais contratam. Existem boas oportunidades também em cidades como Votuporanga e Mirassol, no interior de São Paulo. Cresce a demanda na região de Ubá, em Minas Gerais. Há boas perspectivas também no departamento de vendas de empresas que fornecem matérias-primas para a fabricação de móveis. O salário médio mensal é de R$ 1.500.
Produção Sucroalcooleira
Em tempos de corrida pelo etanol, que trouxe até o presidente dos Estados Unidos ao Brasil, alguém tem dúvida de que se especializar na produção sucroalcooleira é um tiro certeiro rumo ao emprego e ao crescimento profissional? Pois a fabricação de açúcar, álcool e seus derivados é a base do curso de Tecnologia em Produção Sucroalcooleira. Com três anos de duração, ele oferece, nos primeiros períodos, disciplinas básicas para que o aluno forme uma base sólida para entender o que virá na seqüência. O tecnólogo sai habilitado a participar de todas as fases do processo de produção sucroalcooleira, podendo tanto gerenciar pessoas como participar efetivamente de algumas dessas etapas.
Um boom de indústrias sucroalcooleiras na região do noroeste paulista foi uma das razões para a criação do curso de Tecnologia em Produção Sucroalcooleira do Centro Universitário de Votuporanga (Unifev), inaugurado em agosto de 2006. “As empresas que já existiam estão ampliando a capacidade produtiva, e a estimativa é de que, nos próximos 15 anos, outras 30 sejam criadas por aqui”, explica o professor Carlos Eduardo de Mattos, coordenador do curso.
Sandro Renato Ferreira, 37 anos, aluno do 2º período, foi atraído pela oportunidade. Morador de Monte Aprazível (SP), ele já tem o diploma de engenheiro agrônomo, mas pensou em expandir os conhecimentos para uma outra área que se mostrasse promissora. O estudante ressalta que a estrutura do curso habilita o profissional a entender desde a colheita da cana-de-açúcar, a qualidade do material e a obtenção desta matéria-prima até os processos mais avançados, como a fabricação nas destilarias e usinas. “Sei que estarei apto a trabalhar tanto dentro quanto fora das indústrias, seja no gerenciamento ou na consultoria de todos os processos”, finaliza.
Onde está o emprego: São Paulo é o estado que mais produz cana-de-açúcar no país e, por isso, concentra a maior oferta de emprego. Mas há vagas também em outros estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. O salário médio inicial é de aproximadamente R$ 2.000.
Produção Têxtil
A responsabilidade do tecnólogo em Produção Têxtil é gerenciar a fabricação de fios, tecidos, malhas e fiação, e atuar na tecelagem, padronagem e tinturaria. Ele pode desenvolver materiais, texturas, composições e estampas ou acompanhar a instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos têxteis. Algumas escolas formam profissionais para atuar especificamente em modelagem e acabamento das coleções.
O currículo oferece formação prática na confecção de tecidos, como técnicas de tintura, tecnologia têxtil e informática aplicada ao vestuário. Há, ainda, disciplinas teóricas, que ajudam a exercer funções gerenciais. O intercâmbio com as empresas do setor é essencial.
Onde está o emprego: No Sudeste, os empregos se concentram nas cidades do pólo têxtil paulista: Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia. Já no Sul, as oportunidades estão na região de Brusque, Blumenau e Joinville. Incentivos fiscais do governo têm atraído indústrias tradicionais a abrir filiais no Nordeste, o que aumenta a procura por profissionais na região. O salário médio inicial é de R$ 1.400.
Processos Químicos
A química está por toda parte. Você pode até não perceber, mas basta olhar ao seu redor para encontrar algum objeto que só existe porque houve um processo químico. A indústria, basicamente, lida o tempo todo com a química, em maior ou menor grau. Exatamente por isso, são muitos os caminhos profissionais que o tecnólogo em Processos Químicos pode seguir.
O professor Flávio Gramolelli Júnior, coordenador do Curso de Tecnologia em Processos Químicos do Centro Universitário Padre Anchieta (UniAnchieta), em Jundiaí (SP), explica que o tecnólogo em Processos Químicos pode ter até 13 atribuições, conforme estabelece o Conselho Federal de Química. “O nosso curso é focado principalmente para a atuação nas indústrias, mas o profissional tem a opção de atuar ainda em empresas de consultoria e órgãos públicos”, diz.
Aulas básicas, dedicadas aos fundamentos da física, matemática e, é claro, química, estão presentes no currículo desse curso com três anos de duração. Um semestre é dedicado ao estágio na área de processos químicos. E é aí que o aluno pode colocar em prática tudo o que aprendeu. “O químico formado pela graduação tradicional faz mais pesquisa e desenvolvimento; o tecnólogo, por sua vez, é a mão-de-obra da unidade fabril”, diferencia o professor Gramolelli.
E foi exatamente por essa característica que o aluno José Araújo Junior, 38 anos, que cursa o 5º período do curso da UniAnchieta, buscou o curso. Com formação de técnico em Química pela mesma instituição, ele percebeu que precisava de aperfeiçoamento. “Trabalho na área de desenvolvimento de uma empresa que fabrica tintas. Quero atuar na parte de processos e, com a conclusão do curso, são grandes as chances de conseguir a transferência”, diz.
Seguindo uma tendência internacional, o curso tem uma grande preocupação com a preservação ecológica: “O uso de matérias-primas gera produtos que, por sua vez, produz resíduos. É preciso muito cuidado para que eles não afetem a natureza e a saúde das pessoas. O tecnólogo em química sai com esta consciência bem presente. Assim, ele também se torna um agente para a solução desse problema ambiental”, esclarece Gramolelli.
Onde está o emprego: As regiões Sudeste e Sul são as que mais oferecem vagas. O salário médio inicial varia muito, girando entre R$ 1.000 e R$ 1.600.