Curta Duração

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Mudando para uma nova carreira

A qualificação rápida e específica dos cursos superiores de curta duração são ideais para quem decide mudar de profissão

Os cursos superiores de curta duração têm aliviado a dor de cabeça de muita gente que, durante ou logo após terminar um curso superior, ou mesmo depois de anos atuando no mercado, se dá conta de que deveria ter seguido outra carreira. O que fazer, então? Voltar aos bancos de uma faculdade para passar mais quatro, cinco anos estudando? E será que o curso é capaz de dar alguma experiência prática, tão necessária para quem não pode se dar ao luxo de ficar um período de tempo fora do mercado de trabalho?

Diante dessas dúvidas, o caminho aberto por um curso seqüencial ou de formação superior de tecnólogo surge como uma boa opção. “Eles têm consonância muito grande com o mercado, já que o objetivo é formar verdadeiros especialistas em determinadas áreas, enquanto a graduação tradicional é multifocada, não vai tão diretamente ao ponto”, opina o professor André Luiz Gomes, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). “Aqui, os alunos são mais velhos, trabalham, estão em uma fase da vida em que não há tempo a perder.”

Dos tribunais para o fogão: A advogada que se rendeu aos prazeres da Gastronomia
Novos horizontes: A analista comercial que, ao conquistar seu canudo, agora pensa em fazer uma pós
Tentativa... e acerto! O artista gráfico que iniciou vários cursos, mas se encontrou mesmo num tecnólogo de Produção Gráfica

Dos tribunais para o fogão

A paulista Heloísa Rodrigues, de 36 anos, sempre quis ser delegada de polícia. Na hora do vestibular, não teve dúvidas: entrou na Faculdade de Direito de Bauru, da Instituição Toledo de Ensino, interessada nas emoções da carreira penal. Porém, mais velha e já trabalhando como advogada há seis anos, viu o sonho de comandar uma delegacia se distanciar e o encanto pela profissão diminuir. “Eu trabalhava com direitos autorais em uma grande empresa de softwares e cheguei a participar de algumas operações de busca e apreensão à pirataria. Até gostava, mas, depois de quatro anos, comecei a me cansar”.

Foi nessa época que Heloísa começou a deixar uma outra paixão de infância falar mais alto: a gastronomia. “Eu sempre fui apaixonada por cozinhar, fiz meu primeiro bolo aos 7 anos de idade e só saía da cozinha à força”, conta. Porém, ela explica que não conseguia ver a profissão de seus sonhos como algo viável para alguém de classe média. “Não existiam cursos desse tipo por aqui, era preciso ir para a França, tudo era caríssimo”. Então, em 1999, ela decidiu se aventurar e se matriculou no curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo (SP). “Foi paixão imediata. Investi na formação, li muito, estudei muito – nem na época do Direito eu estudei tanto! Foi assim que eu descobri que o meu talento era para a confeitaria, área a que passei a me dedicar.”

Hoje, depois de trabalhar em confeitarias mundialmente renomadas, Heloísa continua descobrindo novos horizontes na Gastronomia – agora como professora do curso de Confeitaria e Panificação da Universidade em que se formou, a Anhembi Morumbi. “Quando você ama alguma coisa, o assunto nunca se esgota, nunca cansa. Eu durmo e acordo pensando em comida”, afirma.

Do Direito, ela guardou boas lembranças, experiência de vida – muito úteis na hora de lecionar para jovens – e o alívio por ter deixado a antiga carreira para trás. “O Direito me trouxe muitas coisas boas, mas era uma rotina de resolver problemas, lidar com situações desgastantes. Agora, o meu trabalho é proporcionar prazer para as pessoas. Se tudo desse errado, eu acho que ainda me sairia melhor fazendo trufas para vender do que advogando”, diz.

Novos horizontes

Na mesma universidade, a analista comercial Alessandra Serradura Martins, de 36 anos, protagoniza outro caso de mudança de carreira. Após várias tentativas frustradas de negociar os pagamentos atrasados das mensalidades da faculdade de Direito, ela abandonou o curso no terceiro ano. Sem o diploma, não conseguia emprego na área jurídica e, ainda que buscasse outras áreas, notou que sua empregabilidade estava comprometida devido à falta de formação superior. Por fim, acabou aceitando um emprego na área de marketing de relacionamento, e viu lá uma oportunidade de crescer, se voltasse a estudar. “Nessa nova área, me animei com o fato de ter o diploma logo e compensar o tempo perdido”, lembra.

Ela optou pelo curso de Gestão e Planejamento de Marketing e Vendas, da Universidade Anhembi Morumbi, que ingressou em 2005. “Percebi várias diferenças entre a graduação tecnológica e a tradicional, mas a principal delas está no perfil do aluno”, comenta. “Agora convivo com pessoas mais velhas, com mais objetivo, bastante experiência profissional e capacidade de trazer discussões interessantes para a sala de aula.” Formada, ela agora planeja fazer uma pós, para se especializar ainda mais na nova carreira.

Tentativa... e acerto!

Diferentemente de Alessandra, o também paulista Márcio Oliveira Soares, 38 anos, acabou fazendo o curso de tecnólogo justamente para se direcionar para uma carreira que ele sempre quis ter: a de artista gráfico, formação que iniciou no ensino médio. Como já trabalhava em uma agência de publicidade, optou pelo bacharelado em Propaganda e Marketing, em 1988. “Foi uma decepção, eu não aprendia nada que acrescentasse algo ao meu conhecimento.”, lembra.

Um ano depois, ele abandonou o curso e, a partir daí, começou uma peregrinação por diversas graduações: Letras, Cinema, Jornalismo... “Eu já tinha uma profissão e pensava qual graduação traria mais benefícios para a minha carreira, mas não encontrava um curso superior que me permitisse aprofundar meus conhecimentos na minha área de atuação. Então, acabava indo atrás daqueles que tinham a ver com meus outros interesses, e não necessariamente com meu trabalho”.

Após diversas tentativas, ele finalmente descobriu o curso de Produção Gráfica da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, em São Paulo (SP). Ingressou na terceira turma e concluiu a graduação em 2004, comemorando o aprendizado conquistado. “Além de embasamento teórico mais forte, essa formação me deu suporte para ser um líder na área, ter uma visão gerencial, o que acabou abrindo novos horizontes para minha carreira”. Hoje, Márcio é sócio de uma empresa prestadora de serviços editoriais e gráficos em São Paulo.