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Cursos sequenciais: em busca de aprovação

Os cursos seqüenciais proporcionam conhecimento específico e rápido aos profissionais que já estão no mercado e precisam de um diploma superior, mas continuam a ser questionados

Os cursos seqüenciais surgiram no Brasil na década de 90 como uma alternativa express para se obter um diploma de nível superior.

Os maiores interessados eram profissionais acima dos 25 anos, que estavam há anos no mercado de trabalho e não podiam pensar em ascensão na carreira simplesmente porque não tinham formação superior. Com um seqüencial, não só conseguiam isso no prazo médio de dois anos como atualizavam os conhecimentos em relação às áreas em que atuavam.

Mas o próprio movimento do mercado demonstrou que poucas pessoas estavam dispostas a apostar nesse caminho, apesar da tentação de ter o grau superior em tão pouco tempo. Primeiro, porque, apesar de ser um curso de nível superior, ele não permite a continuidade da carreira acadêmica. Isso significa que, depois de receber o diploma, só existe a possibilidade de fazer uma pós-graduação do tipo lato sensu, ou seja, especializações.

Outro fator determinante é a insegurança em relação à qualidade dos cursos. Eles são oferecidos apenas nas redes privadas e praticamente não sofrem nenhuma fiscalização, diferentemente dos tecnólogos.

Dessa forma, a conseqüência natural foi a migração de muitos desses cursos para o formato tecnólogo, que é um tipo de graduação. Algumas escolas aceitam os créditos de um seqüencial para uma graduação tecnológica, o que lhe permitirá concluir o segundo curso em menos tempo.

Porém, para ser aceito é preciso fazer uma prova ou passar por avaliação de currículo que comprove seu conhecimento prévio. Há também faculdades que reconhecem esses créditos na graduação tradicional. Outras, no entanto, continuam na ativa, dentro da proposta de oferecer formação profissionalizante fechada em uma área do saber.

Tipos de curso

Os cursos seqüenciais estão previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) ao lado dos cursos de graduação – bacharelados, licenciaturas e tecnólogos – e dos de extensão. Supervisionados pela Sesu, eles são oferecidos em duas modalidades: os de formação específica, criados em 2001, e os de complementação de estudos, que surgiram em 1998.

Os seqüenciais de formação específica estão sujeitos a autorização e reconhecimento pelo Ministério da Educação (MEC), devem ter uma carga horária mínima de 1.600 horas e, ao final, conferem ao aluno um diploma de nível superior. No entanto, eles possuem uma restrição: só permitem que se faça, na seqüência, pós-graduação lato sensu, ou seja, especialização. Mestrado e doutorado está fora de cogitação. Esses cursos são fiscalizados pelos órgãos superiores de educação e só podem ser oferecidos por centros universitários consolidados ou por novas instituições que cumpram certas exigências estabelecidas pelo governo federal.

Quanto aos seqüenciais de complementação de estudos, eles não estão sujeitos à autorização nem a reconhecimento pelo MEC e conferem apenas um certificado em determinado campo de conhecimento. Como apenas complementam uma formação superior, devem ser feitos depois ou durante a graduação. Esses cursos correm o risco de ser extintos ou transformados em cursos de especialização, justamente pela falta de fiscalização a que estão sujeitos.

 

Profissionalização e mercado

As grades curriculares dos cursos seqüenciais são formatadas para motivar o contato entre a vida profissional e a academia. Mas o modo como se dá essa aproximação é bem diferente dos cursos de tecnologia e, principalmente, dos cursos de graduação tradicionais.

Enquanto os tecnológicos têm foco em técnicas específicas e uma formação acadêmica mais completa, e a graduação aborda uma área de conhecimento com profundidade, os cursos seqüenciais buscam profissionalizar o aluno, utilizando metodologias para inseri-lo muito rapidamente no mercado de trabalho. “Daí o maior interesse de quem tem pressa, por causa da idade ou da necessidade urgente”, comenta Rubens Martins, coordenador do Departamento de Supervisão da Educação Superior da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC.

São profissionais que desejam especializar-se na carreira e ter contato com a academia, sem o caráter generalista de uma graduação tradicional. “Os seqüenciais, como os tecnológicos, são uma opção de formação superior que integra a academia ao mundo do trabalho. Às vezes, são mais adequados às demandas sociais”, completa.

Segundo a consultora de Recursos Humanos Denise Kamel, a importância desses cursos para mercado está justamente no fato de serem específicos em determinado assunto. “Eles realmente fazem diferença, principalmente na área de Tecnologia e Informática. Dependendo da vaga, é necessário ter certificação sobre determinado aplicativo, sistema ou ferramenta, e um curso como esse garante ao empregador a qualidade no que diz respeito ao conhecimento do candidato sobre aquele assunto específico”, esclarece.

A opinião de quem faz

O paulista Joab Venek, de 39 anos, considera que o seqüencial foi a escolha perfeita, porque conseguiu oferecer o conhecimento extra que ele precisava no pouco tempo disponível que tinha para estudar.

Joab trabalha em uma multinacional de produtos químicos e já tentou, em vão, cursar a graduação em Química três vezes. Sem tempo, continuou trabalhando e realizando pequenos cursos, até optar pelo seqüencial de Informática da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). “Eu não sabia absolutamente nada de computação e, para vender produtos químicos, seria interessante conhecer um pouco da ciência da informática”, comenta. “No seqüencial temos aulas aos sábados e, durante a semana, posso organizar o horário dos estudos.”, continua. Ele garante que as aulas exigem muita dedicação para que o aluno consiga uma formação realmente completa. “É um curso muito puxado, requer muito do aluno. O professor apresenta a matéria, temos um ambiente virtual e todos os dias há o que estudar. Aos sábados, durante as aulas, somos cobrados por isso. É muito mais exigente do que eu esperava”, conta.
O caso de Joab ilustra bem a utilidade dos cursos seqüenciais, muito procurados por quem visa complementar seu conhecimento profissional em uma outra área além de sua especialidade. Nesse caso, funcionam como uma alternativa à graduação. Joab forma-se em julho de 2007 e diz que o curso foi muito importante para sua profissão. “Agora, sei como é o desenvolvimento, a programação e a logística de tudo o que envolve um pedido na minha empresa”, diz.

“Quando decidi fazer o curso, meus colegas perguntaram por que eu queria estudar tecnologia da informação, trabalhando numa multinacional de produtos químicos. O pessoal não entendeu, achou que não tinha nada a ver. Mas depois que eu expliquei, foi positivo dentro da empresa. A escolha mostrou que eu tenho a mente aberta para outras coisas e ampliou meus conhecimentos”.