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Agropecuária e Meio Ambiente

Cuidar do planeta e explorar seus recursos com responsabilidade é a missão dos profissionais dessa área

Desde que o homem descobriu a capacidade de plantar e colher e abandonou a vida nômade, passou a planejar seu destino e a criar comunidades e cidades. Pode-se afirmar até que a civilização jamais existiria sem essa base para lhe dar suporte.

O problema é a sustentabilidade da Terra e do que ela nos oferece. De que forma estamos usando e protegendo esse planeta, para que possamos contar com seus recursos por muitas e muitas gerações? Infelizmente, a resposta é: mal, muito mal. Mesmo sabendo da importância de preservar o meio ambiente, o homem tem causado estragos enormes e usado de forma irresponsável os recursos naturais. Nunca se falou tanto dos efeitos nocivos dessa ação quanto nos dias de hoje, quando o aquecimento global é manchete quase diária, e a natureza responde agressivamente à sua destruição.

O lado positivo disso é a conscientização de diversos setores da sociedade e a valorização dos profissionais que podem colaborar para reverter ou, ao menos, minimizar esse quadro. São aqueles capazes de estudar os recursos naturais visando sua utilização responsável, de forma a gerar lucro, movimentar a economia, mas sempre garantindo a sustentabilidade da atividade e a sobrevivência da humanidade.

Agropecuária e Agronegócios

O Brasil é um dos celeiros do mundo e quase metade das suas exportações deve-se ao agronegócio. Ele é o maior produtor mundial de feijão, café, mate, laranja, mamão e cana-de-açúcar, o segundo de soja e carne bovina, o terceiro de milho, só para dar alguns exemplos de seu peso no setor. Segundo a Associação Brasileira de Agrobusiness, o agronegócio é responsável por 34% do Produto Interno Bruto do país, representa 42% das exportações e gera 37% dos empregos do país.

Naturalmente, esse desempenho está intimamente relacionado à gigantesca extensão do país, às terras férteis e ao clima favorável para a agricultura. Mas esse desempenho não pode ter continuidade sem a participação de profissionais muito bem capacitados, alinhados com os avanços nesse setor. Atualmente, cerca de 90 escolas em todo o país preparam tecnólogos nessa área, que dá emprego para mais de 35% da população.

Esse tecnólogo precisa saber muito mais que plantar e colher. Ele é preparado para gerenciar todo o negócio junto a empresas e entidades ligadas a planejamento, projetos e implantação de atividades da produção agrícola. Ou seja, precisa entender o processamento, a agroindustrialização e a comercialização dos produtos em geral, da semeadura à entrega aos revendedores. Ao mesmo tempo, não pode perder o mercado de vista, pois estar atento aos seus movimentos é fundamental para a tomada de decisões estratégicas.

O mercado está ótimo para o tecnólogo em agronegócios”, acredita Marcos Roberto Silvério, coordenador do Curso de Tecnologia em Gestão de Agronegócios da Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo), campus Fernandópolis (SP). “Com essa enorme extensão de terra, o Brasil já é um dos maiores produtores mundiais de carne, uma das maiores bacias leiteiras do mundo e agora a maior referência em fontes de energia renovável, como o etanol (álcool) e o biodiesel. Para os próximos 15 anos, a área do agronegócio tende a quadruplicar a participação no mercado interno e externo. Em qualquer parte do Brasil faltam profissionais capacitados para trabalhar na gestão do agronegócio”, esclarece.

Silvério conta, ainda, que o objetivo do curso da Unicastelo é formar gestores eficazes no desenvolvimento, planejamento, controle e comercialização de produtos e serviços do agronegócio, com ênfase em liderança participativa, estratégias competitivas e tecnologias de informação. Essa formação abre caminho tanto para o empreendedorismo quanto para a carreira profissional em médias e grandes empresas, liderando, dirigindo ou gerenciando processos organizacionais. O profissional também pode buscar especializações correlatas que o habilitem a ministrar aulas em cursos técnicos, tecnológicos e bacharelados.

Outra preocupação comum na formação em Agropecuária e Agronegócios é a questão ambiental, um dos focos do curso de Tecnologia em Agricultura Sustentável do Centro Federal de Educação Tecnológica de Cuiabá (Cefet-Cuiabá). Sua missão é formar profissionais capazes de obter o uso racional dos recursos naturais, garantindo a rentabilidade e a sustentabilidade do negócio. “Fizemos uma pesquisa que demonstrou que a área de agricultura sustentável está carente de profissionais que saibam lidar com essa questão. Tanto que 70% de nossos alunos já estão empregados”, esclarece Moacir Marconato, professor do curso.
Onde está o emprego: A expansão agrícola fez surgir ótimas oportunidades em estados como Maranhão, Pará, Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso. No início da carreira, o profissional da área costuma ganhar cerca de R$ 1.500 mensais.

Ciências Equinas

O tecnólogo em Ciências Eqüinas é capacitado para trabalhar no que se convencionou chamar de “indústria do cavalo”, aquela formada por criadores desse animal e instituições públicas e privadas que o utilizam, negociam ou lidam com ele, como haras, clubes hípicos e escolas de equitação. Porém, até algum tempo atrás, não se falava em especialista nessa área. Cavalos, como os demais animais de criação, recebiam cuidados de veterinários, agrônomos e biólogos. Mas era evidente a necessidade desse especialista em um nicho que está relacionado não só a criação para fins de uso rural, mas também para comercialização e competição. Assim, o tecnólogo descobriu um terreno bem fértil para se expandir.

“De uma maneira geral, percebo que estamos sendo muito bem aceitos e reconhecidos”, comenta Viviana Finco, formada pelo curso seqüencial de Ciências Eqüinas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em São José dos Pinhais. “Uma prova disso é que tanto os alunos da turma anterior quanto os da minha estão todos trabalhando. Eu, por exemplo, sou fisioterapeuta de cavalos em uma hípica.” Para Adriana Busato, coordenadora do curso, o sucesso está bastante relacionado com o ineditismo. “Este curso, nos moldes em que está estruturado, é pioneiro no país e tem recebido muitos elogios de especialistas”, orgulha-se. “Até policiais da cavalaria viraram alunos!”

A coordenadora explica que o curso foi montado com base em modelos similares existentes nos Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Austrália, com adaptações para o cenário nacional. A formação se dá com professores vindos principalmente da Medicina Veterinária, da Zootecnia e da Agronomia. Essa tríade consegue colocar em pauta diversos assuntos específicos sobre cavalos e criar a especialização com base em vários pontos de vista científicos. Dessa forma, as possibilidades de atuação são amplas. Além do trabalho tradicional em fazendas, haras, hípica e clubes, esse profissional pode ser instrutor de equitação, fazer gerenciamento de raças, coordenar eventos e turismo relacionados a hipismo e fazer a perícia de animais para companhias de seguros.

Outro fator que contribui muito para a qualidade do curso é a maior parte dos alunos ser formada por pessoas que já lidam com cavalos e buscam uma especialização. “Isso motiva muita discussão, debates, cria um grande envolvimento”, conta. “Aqui, todos são apaixonados por cavalos”.

Onde está o emprego: Hípicas, clubes de equitação e empresas que trabalham com a indústria do cavalo. O salário médio inicial vai de R$ 700 a R$ 1.000.

Geoprocessamento

O tecnólogo em Geoprocessamento lida com a medição e a caracterização de terrenos, trabalhando basicamente com agrimensura, cartografia e sensoriamento remoto para mapear lotes e identificar suas características, como relevo e tipo de solo. Para isso, usa tecnologias avançadas, como imagens de satélites e radar, além de conhecimentos de topografia e geodésia. Pode, ainda, realizar vistorias, fazer avaliações e elaborar laudos técnicos. As melhores chances de contratação estão em firmas que executam projetos nas áreas agrícola e ambiental e em órgãos públicos. Como autônomo, demarca propriedades urbanas e rurais, implanta loteamentos, realiza mapeamento e monitoria de áreas verdes e interpreta imagens de satélite.
Onde está o emprego: Há demanda em praticamente todo o país, mas, pela carência de profissionais, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm o maior número de ofertas. O salário médio inicial é de R$ 1.500.

Gestão Ambiental

Os efeitos da ação do homem sobre o meio-ambiente nunca foi tema de tanta discussão, debate, estudos e reportagens. São tantos desastres causados pelo aquecimento global e previsões sobre o que ele ainda pode provocar que o assunto levantou questões urgentes: até quando o planeta pode suportar a ação do homem? O que podemos fazer para reverter, ou ao menos minimizar, essa destruição?

Essa preocupação crescente abriu ainda mais o mercado para o profissional formado em Gestão Ambiental. Segundo Rodrigo Afonso de Bortoli, coordenador do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental da Faculdade de Tecnologia Senai Blumenau, em Santa Catarina, as grandes empresas passaram a considerar mais fortemente a questão do meio-ambiente, especialmente após a implantação, em 1996, das normas da ISO 14000, que regulam os processos de utilização de recursos naturais. “A maioria dos alunos da primeira turma, que se formará na metade do ano, já está trabalhando na área", afirma o professor.

O profissional em Gestão Ambiental domina a legislação da área, estuda os impactos que a atuação de uma empresa terá sobre o ambiente, elabora projetos para a recuperação de áreas devastadas, identifica precocemente os efeitos que as ações do homem terão sobre o meio ambiente e sugere processos menos agressivos e sustentáveis.

O campo de trabalho é amplo. Nas empresas, o objetivo é controlar os resíduos produzidos e fazer com que a legislação ambiental seja seguida, para conquistar ou manter o ISO 14000. Em ongs, o tecnólogo pode dedicar-se à educação ambiental e à pesquisa sobre os impactos sofridos. Além disso, pode trabalhar no setor público, na análise de impactos ambientais, na recuperação de áreas degradadas e na fiscalização de áreas protegidas. O tecnólogo também é procurado para trabalhar em laboratórios de controle de poluentes e estações de tratamento de água e resíduos sólidos.

“No início do curso, me preocupei em encontrar o mercado de trabalho fechado. Mas ainda no primeiro semestre percebi que não seria difícil encontrar emprego. Dos 17 alunos do meu curso, 16 estão trabalhando na área", afirma Paula Paraizo, 21 anos, aluna da primeira turma do curso do Senai Blumenau. Ela pretende atuar em indústrias ou em assessoria ambiental logo após a formatura.

Atualmente, empresas de grande porte estão adotando políticas sustentáveis. Em alguns casos, há um departamento específico voltado para esse objetivo, e os projetos com esta temática tendem a aumentar sistematicamente. Uma série de fatores incentiva essa “corrida da sustentabilidade”: a legislação ambiental, pressões públicas, benefícios fiscais oferecidos pelo governo e por instituições financeiras, pressão de acionistas, entre outros. O profissional dessa área tem a capacidade de analisar e avaliar o nível de sustentabilidade da empresa e elaborar estratégias de desenvolvimento. O uso racional de recursos naturais aumenta a aceitação das empresas, dá benefícios econômicos e mantém o equilíbrio com o meio ambiente.

Onde está o emprego: O campo de trabalho é bastante amplo e atinge ongs, instituições privadas e públicas em todo o Brasil, mas em especial nas regiões Sul e Sudeste, que concentram os maiores pólos industriais. O salário médio inicial é de R$ 1.500.

Irrigação e Drenagem

Água é fonte de vida e precisa ser buscada aonde quer que esteja, especialmente quando se trata de uso para consumo ou para fomentar a agricultura e a pecuária. O tecnólogo em Irrigação e Drenagem é responsável por fazer essa condução até os locais onde a natureza não conseguiu resolver a questão – algo muito freqüente no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Por isso, profissionais capazes de fazer avaliações, indicar quais os melhores caminhos e realizar as obras necessárias para obter o máximo rendimento no cultivo são bastante valorizados.

O aluno de tecnologia em Irrigação e Drenagem é preparado para elaborar projetos e ter senso crítico de avaliação das terras. Ela estuda as condições locais e define o melhor método de irrigação para a região, com base também nos custos orçamentários e na demanda de esforços. Além disso, esse profissional deve buscar uma melhoria contínua no uso de água e de energia, fundamentais para o processo. Ele também é capacitado para executar a manutenção nos sistemas de irrigação.

Segundo Gustavo Haddad Souza Vieira, coordenador do curso de Tecnologia em Irrigação e Drenagem do Centro Federal de Educação Tecnólogica de Januária (Cefet-Januária), em Minas Gerais, há uma grande carência de profissionais nesse mercado. “Algumas empresas ligam para procurar gente para contratar”, revela. “Elas sabem que preparamos o aluno de forma bastante segmentada, com o foco que precisam.” O aluno Oséas Araújo Magalhães, de 20 anos, já percebeu esse interesse. “Vejo muito potencial nesse mercado. Chove pouco aqui na região e, com uma especialização em irrigação e drenagem, podemos melhorar a produtividade da agricultura e ganhar dinheiro”, comemora.

Com os programas de expansão agrícola governamentais, novas regiões necessitarão de serviços desse tipo. O estado do Mato Grosso, por exemplo, com solo ácido, parecia totalmente inapropriado para a agricultura. Com a mecanização do campo e a aplicação de novos modos de produção, como a irrigação, a situação mudou. Hoje, o Centro-Oeste é responsável pela maior parte da produção de soja brasileira.

Onde está o emprego: Propriedades de produção agrícola, empresas privadas de prestação de serviços e revenda de equipamentos e instituições de pesquisa e ensino em todo o país. O salário médio inicial é de R$ 1.000.

 

Recursos pesqueiros

Esse profissional acompanha toda a cadeia produtiva da produção de peixes e de outros animais aquáticos em cativeiro, voltada para várias finalidades. Ele não apenas cuida do manejo, da reprodução e da nutrição desses animais, como gerencia e explora o potencial das unidades de criação em tanques, açudes e lagoas, envolvendo-se em todas as etapas do negócio. Ao mesmo tempo, procura minimizar os impactos da atividade sobre o meio ambiente. O curso começa com disciplinas básicas, como física, biologia, química e matemática, que preparam o aluno para as matérias de formação específica. A parte técnica conta com aulas de aqüicultura e piscicultura, tecnologia e biologia pesqueira e fisiologia dos animais aquáticos, entre outras.

Onde está o emprego: As melhores chances estão nos estados de Santa Catarina, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, e nas capitais do nordeste onde a indústria pesqueira é muito forte. O salário médio inicial está na faixa de R$ 1.000,00.

Rochas Ornamentais

Mármores, granitos e todo tipo de pedra que enfeita fachadas, ambientes internos e externos de casas e empresas, ou decora lápides funerárias, são extraídos da natureza, cortados, trabalhados, até ganhar a forma final. É uma indústria gigantesca que envolve questões práticas seríssimas, como o impacto ambiental e a integridade física dos operários, tanto no momento da extração quanto no dos cortes das peças. Até pouco tempo, o perfil predatório vigorava no setor, mas a situação tem mudado, diante das exigências da sociedade civil e das leis ambientais e trabalhistas. Nessa hora, é indispensável a figura do tecnólogo.
A maior parte das rochas ornamentais destina-se à fabricação de chapas e ladrilhos para revestimentos, principalmente pisos. Este é o destino de aproximadamente 80% delas. Uma pequena parte (15%) é utilizada para arte funerária, e a menor porção (5%), para outras aplicações. O mármore é o material em maior quantidade do setor.

Com um mercado tão amplo, fazia-se necessário um curso de Tecnologia em Rochas Ornamentais que se dedicasse ao estudo da extração e aplicação desse tipo de recurso mineral. Ele foi criado pela União de Ensino São Francisco (Unesf), em Barra de São Francisco (ES). A primeira turma se forma em agosto de 2007. “Estamos preparando um profissional polivalente, apto a atuar desde a fase da lavra à exportação de produtos acabados, por isso acredito que ele será rapidamente absorvido pelo mercado”, assegura Leonardo Luiz Lyrio da Silveira, coordenador do curso. “Ele poderá trabalhar na área de pesquisas, operação de maquinário e polimento de rochas. Ou em escritórios, na parte de gerenciamento”. O aluno Augusto César Della Libera, 23 anos, ratifica a prosperidade do mercado. “As empresas da região já estão de olho na gente, sempre recebemos convites para estágios”, conta.

Grande parte da expectativa dos alunos deve-se à localização da escola, numa região que acumula mais de 300 jazidas e cerca de 20 serrarias, sendo o maior centro de fornecimento de pedras ornamentais. “Atualmente, temos 100 alunos vindos dos municípios de Barra de São Francisco, Guarapari, Vila Velha, Ecoporanga e Nova Venécia, e de outros estados. Conseguimos preencher de 80 a 100 vagas a cada ano. E acredito, de verdade, que todos terão emprego ao sair daqui”, diz o coordenador.
Onde está o emprego: No estado do Espírito Santo, onde está a maioria das minas de rochas ornamentais do país; em São Paulo, um dos maiores compradores, além de Rio de Janeiro, Bahia, Goiás e Minas Gerais. O salário médio inicial é de R$ 1.000.

Saneamento Ambiental

A ação do homem no meio ambiente provoca maravilhas para a civilização, mas, ao mesmo tempo, altera todo o seu equilíbrio. Especialmente quando se trata de núcleos urbanos – aglomerados de pessoas que produzem lixo, resíduos domésticos e industriais e poluição do ar. Esse tecnólogo promove controles e tratamentos que levam à diminuição do impacto sobre o meio ambiente. Sua meta é garantir a sustentabilidade do planeta e, sempre que possível, fazer o ar, a água e o solo apresentarem características mais próximas possíveis das originais.

O tecnólogo em Saneamento Ambiental é um profissional extremamente prático, que age para intervir e evitar uma situação ambiental indesejável. Uma de suas funções mais conhecidas é a de tratamento e distribuição de água, coleta e tratamento de resíduos e controle da qualidade do ar. Ele une conhecimentos técnicos necessários para planejar, desenvolver e implantar projetos com esse fim em várias instituições públicas e privadas. Planejar a infra-estrutura de edifícios, por exemplo, é uma de suas tarefas. Existe, ainda, a possibilidade de atuar no campo de pesquisas, desenvolvendo novas tecnologias para o setor.

Um outro setor de atuação bastante vasto é o de controle ambiental. “O problema da poluição precisa ser resolvido por equipes multidisciplinares, e esse tecnólogo tem tido papel fundamental em órgãos governamentais, indústrias, empresas de consultoria e prefeituras municipais”, diz Maria Aparecida Carvalho de Medeiros, coordenadora do curso oferecido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ela, a proposta do curso é integrar a ciência e a tecnologia ao desenvolvimento de aptidões, estimulando principalmente o espírito crítico e empreendedor, para aplicá-las no mercado de trabalho. “O estudante tem a oportunidade de manter contato com a área de humanidades e aprofundar conhecimentos em campos específicos. Além disso, pode cursar uma disciplina em qualquer área existente na universidade, que contará como crédito”, explica.

Para isso, o curso foi estruturado de modo a oferecer aulas teóricas e em laboratórios, além de visitas técnicas e a campo. “Assim, o aluno se familiariza com a realidade do mercado de trabalho que irá encontrar.” No curso da Unicamp, os primeiros semestres são básicos. Depois, ele pode optar entre duas modalidades: saneamento básico ou controle ambiental.

Onde está o emprego: Os grandes centros urbanos apresentam as melhores oportunidades. Salário médio inicial em torno de R$ 1.500.

Silvicultura

Com a popularização de políticas ambientalistas e de gestões sustentáveis, as empresas têm a necessidade de buscar alternativas para não prejudicar o meio ambiente com o seu negócio. Especialmente aquelas que trabalham diretamente com a extração de recursos naturais e precisam de políticas ainda mais rigorosas, já que são alvos de pressões populares e legislações ambientais.

Por isso, é importante ter um profissional capaz de elaborar estratégias de reflorestamento ou restabelecimento do ambiente prejudicado pela extração. Empresas que trabalham com móveis de madeira, por exemplo, sofrem pressão social forte para fabricarem seus produtos com material de reflorestamento. O mesmo acontece na indústria farmacêutica, que pratica a extração de recursos vegetais e precisa restabelecer o equilíbrio do meio ambiente por motivos éticos e econômicos, já que é de lá que sairão seus produtos no futuro.

É para este tipo de atividade que o tecnólogo em Silvicultura é preparado. Seu trabalho consiste em planejar, orientar, gerenciar e supervisionar trabalhos voltados para o manejo e produção de espécies, implantação de viveiros e comercialização de mudas de espécies florestais, de acordo com a legislação ambiental. Também pode atuar na preservação de áreas ambientais em risco e participar de projetos de reflorestamento, desenvolvendo solução tecnológicas para o desenvolvimento regional sustentável. É sua missão levantar necessidades e enxergar oportunidades para os agronegócios, seja no campo com os produtores, nos distribuidores ou entre as empresas que trabalham com extrativismo.

“Na minha opinião, sua principal função é conciliar novas alternativas produtivas em expansão com atividades já existentes”, opina Gustavo Martins Silva, coordenador do curso de Tecnologia em Agropecuária: Silvicultura, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), em Porto Alegre.

A conciliação entre a atividade da pecuária e da silvicultura, por exemplo, é um dos desafios do tecnólogo, que deve seguir os interesses da empresa ou da instituição para o qual trabalha sem prejudicar o meio ambiente, fazendo com que as duas atividades possam coexistir. Para isso, ele deve traçar planos de reconstrução de ambientes afetados, da forma mais fiel possível, e planejar as estratégias futuras de desenvolvimento da região. Além disso, o tecnólogo também deve ser capaz de promover a diversificação das atividades de uma região, com objetivo de agregar renda ao produtor.

Na Uergs, a preocupação é atender às demandas regionais pelo profissional. “Para evitar que o mercado das regiões fique saturado, os cursos são oferecidos por determinado período em algumas unidades e, depois, transferidos para outras regiões”, explica Gustavo.

Onde está o emprego: região Sul, com boas perspectivas para outros pontos do país, como o Sudeste.
Tecnologia de madeira

O trabalho desse tecnólogo é acompanhar e gerenciar os processos de transformação física e química da madeira, com o objetivo de utilizar a matéria-prima de forma racional, atender ao desenvolvimento sustentável da região e aumentar a produtividade e a qualidade do produto final. Pode trabalhar em madeireiras, serrarias e carpintarias, além de atuar em indústrias moveleiras. Entre as disciplinas específicas do curso estão processos mecânicos da madeira, movelaria, técnicas de secagem, revestimento de madeira e manipulação de corantes e conservantes químicos. A formação se completa com o aprendizado de técnicas e métodos de administração da produção.

Onde está o emprego: As indústrias de painéis de madeira e fabricantes de portas, janelas e pisos de madeira são os maiores empregadores. Concentradas no sul do Paraná e no norte de Santa Catarina, contratam o profissional para o gerenciamento da produção. Há boas ofertas ainda em indústrias moveleiras do Sul e do Sudeste, onde o profissional atua no controle de qualidade. O salário médio inicial é de R$ 1.000,00.

Zootecnia

O tecnólogo em Zootecnia acompanha toda a cadeia produtiva de carne, leite, ovos, peles e mel, cuidando da reprodução, da saúde, da nutrição, do manejo e do abate dos animais. Trabalha ainda no melhoramento genético e na preparação de rações balanceadas e pastagens nutritivas. Na área de gerenciamento, analisa custos e cuida para que as atividades agroindustriais não prejudiquem o meio ambiente. O curso dá ênfase a atividades práticas, e a partir do terceiro semestre o aluno passa a ter aulas voltadas para criação e nutrição animal, inseminação artificial, alimentação, formulação e preparo de rações, além de disciplinas específicas voltadas para cada tipo de criação.

Onde está o emprego: As melhores oportunidades estão na indústria agropecuária e em grandes propriedades rurais. A Região Centro-Oeste, principalmente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, concentra o maior número de ofertas de emprego. Em São Paulo e Minas Gerais há boas perspectivas nas cidades mais prósperas do interior. As indústrias frigoríficas da região sul também mostram interesse. O salário começa na faixa dos R$ 1.500.