Com a globalização, as empresas foram obrigadas a ampliar o campo de visão. Saíram das fronteiras nacionais para pensar no mercado de uma forma geral, disputando oportunidades onde quer que elas apareçam. Vencer essa parada envolve mais do que ser forte no aspecto tecnológico ou desenvolver produtos de alta qualidade. Para chegar aos melhores resultados, é preciso ter uma gestão competente do negócio, perceber e compreender as oscilações do mercado para transformar riscos em oportunidades e dar os passos certos no momento mais adequado.
Há ainda o desafio de alinhar a produção e a comercialização de produtos e serviços às novas diretrizes relacionadas ao respeito ao meio ambiente e aos consumidores. Isso significa, em resumo, que gestão de pessoas, de relações e de processos tornaram-se habilidades empresariais indispensáveis para sobreviver no mercado competitivo. Atualmente é alta a demanda por esses tecnólogos para atuar em empresas, corporações, ongs e órgãos públicos.
Comércio Exterior
A dinâmica criada no início dos anos 90, que acelerou os processos de internacionalização das marcas e globalizou a produção e comercialização de bens, impulsionou também as transações comerciais entre os países. Hoje, a facilidade tecnológica de logística e de comunicação permite que praticamente qualquer empresa seja exportadora, mas deixa clara a necessidade de profissionais, como os tecnólogos em Comércio Exterior, para organizar essa operação.
“Para se dar bem nessa carreira, o profissional deve ter uma visão ampla sobre as diferenças econômicas e sociais entre os países, a fim de saber como interagir com diversos grupos de pessoas, de diferentes níveis sócio-culturais”, esclarece Wanderley Gonçalves, coordenador do curso de Tecnologia em Comércio Exterior da Universidade Cidade de S. Paulo, na capital paulista. De olho nessas necessidades, os cursos contam com aulas de Direito, Marketing e Economia, sempre voltados ao comércio internacional.
Com as variedade de mercados, economias, legislações e processos logísticos, o profissional de Comércio Exterior é responsável por tornar todo esse processo mais simples e eficiente. Com o fortalecimento dos blocos econômicos, ele ganhou ainda maior importância. Em 2005, quase 55% do comércio mundial foi realizado dentro dessas organizações, como o Nafta, o Mercosul e a União Européia, segundo a Organização Mundial do Comércio. Por isso, negociar com os países vizinhos tornou-se vital para as empresas comerciais.
As áreas de atuação do tecnólogo em Comércio Exterior são diversas. Além de trabalhar em empresas especializadas na atividade de exportação e importação, ele pode ocupar postos em empresas de logística, áreas de câmbio em instituições financeiras e seguradoras. O mercado de trabalho, portanto, é bastante amplo. Foi isso que motivou Rogério Candido Almeida, 29 anos, estudante do 4º semestre do curso da Universidade Cidade de S. Paulo, a buscar a graduação tecnológica. Ele, que já trabalhava na área há anos, percebeu a amplitude do mercado e foi atrás de uma especialização. “Quero ganhar mais conhecimento sobre o ambiente do comércio exterior, pois é um mercado muito amplo, que abrange diversas áreas do processo de importação e exportação, fundamental para a economia do país.”
Para lidar com todos os processos de maneira eficiente, esse tecnólogo desenvolve a capacidade de análise de mercado externo para possíveis expansões desejadas por empresas transnacionais. A atuação do profissional também é de fundamental importância para diminuir os riscos de problemas fiscais, alfandegários e legais. Ele é capaz, por exemplo, de lidar com solução de questões que envolvem processos logísticos. Assim, pode exercer também a função de analista, indicando as melhores práticas e detectando as variações do mercado de acordo com o momento econômico e político dos envolvidos.
Onde está o emprego: Centro-Sul e empresas que trabalham com comércio internacional em diversas áreas do país. Salário inicial entre R$ 1.000 e R$ 2.000.
Gestão Pública
Quando se pensa em serviços públicos no Brasil, a primeira imagem que vêm à cabeça é a da ineficiência. Uma das causas deste reflexo é a falta de preparo dos profissionais que ocupam os cargos nas instituições. A assessora legislativa Neusa Salete Brizola Rosa, 49 anos, se sentiu bastante incomodada com o atendimento público prestado em Curitiba. Tanto que decidiu procurar a graduação em Gestão Pública. “Não queria engrossar as estatísticas da ineficiência, eu sei o quanto sofre o cidadão quando trata com profissionais despreparados”, diz. “Vejo que muitos funcionários nem conseguem responder a um pedido de informação. E como meu tempo é curto, tenho família e já trabalho na área, o tecnólogo pareceu ser a opção ideal para mim”, afirma.
Neusa não foi a única a perceber esse aspecto negativo do funcionalismo público que precisa ser corrigido. Tanto que os cursos específicos de Gestão Pública têm aumentado quantitativamente, sendo oferecidos, inclusive, pelo próprio governo, em instituições de ensino superior públicas, como a Faculdade de Tecnologia Internacional (Fatec Internacional), em Curitiba (PR), onde Neusa estuda.
Segundo o coordenador do curso, Jorge Luiz Bernardi, a grade curricular foi montada pensando em oferecer ao aluno uma visão ampla de todos os setores da gestão pública. “Esses profissionais, capacitados com modernas técnicas das várias áreas de gestão, ao assumirem as funções públicas estarão contribuindo para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população”, defende.
Um dos grandes desafios desse profissional é unir a eficácia dos modelos de gestão tradicionais com a responsabilidade ética de um cargo público. O uso de verbas públicas exige que a transparência seja uma característica presente em todos os processos administrativos. Isto só é possível com um conhecimento amplo nas áreas de atuação dos órgãos públicos, entre as quais Direito, Urbanismo, Arquitetura, Engenharia, Informática e Serviço Social. O ensino dessas áreas restringe-se às intersecções com a gestão pública.
Como esse profissional é, antes de tudo, um gestor, uma de suas grandes habilidades deve ser a capacidade de planejamento e liderança, importantíssima em uma área onde vigora a estabilidade de emprego – ou seja, apenas por motivos muito sérios pode-se dispensar um funcionário. Isso exige que o gestor saiba como fazer sua equipe render o máximo possível, sem contar com a possibilidade de mudar um ou outro membro.
A demanda gestores públicos também é alta em outras instituições, além das que se situam na esfera governamental. O crescimento do número de fundações e órgãos do terceiro setor tem valorizado muito o profissional que sabe lidar com os processos de trabalho de gestão pública. A terceirização também acentuou essa necessidade, uma vez que se tornou mais comum empresas privadas tornarem-se fornecedoras de órgãos públicos.
A oferta de trabalho parece garantida. “Uma das áreas que mais emprega é o setor público. Para se ter uma idéia, só nos últimos 10 anos houve um aumento, apenas na área municipal, de cerca de 1,9 milhão de novos postos”, comemora o coordenador. “É difícil faltar emprego!”
Onde está o emprego: O setor público emprega a maioria dos formados, mas há também as empresas prestadoras de serviço e participantes de licitações, em todo o país. O salário varia de R$ 1.200 a R$ 2.000.
Gestão de Recursos Humanos
Empresas são feitas por pessoas que desejam crescer profissionalmente, ganhar bem e ter satisfação com o que fazem. Não é possível administrar um negócio sem pensar seriamente nesse contingente que é, na verdade, o motor de qualquer atividade. Por isso, saber administrar um grupo de funcionários e dar os melhores direcionamentos possíveis para motivar seu crescimento e a sustentabilidade da empresa tornou-se indicador de eficiência de uma corporação.
O profissional formado em Gestão de Recursos Humanos (RH) desenvolve a capacidade gerencial e de liderança para cuidar justamente dessa faceta de toda empresa. Esse trabalho vai além da busca de profissionais qualificados. Ele tem um papel estratégico, pois é capaz de detectar demandas de novos profissionais em determinada área, identificar necessidades de treinamento, analisar perfis profissionais, plano e gestão de carreiras, entre outras funções.
Para que os funcionários mantenham o foco, a motivação e o bom desempenho, é preciso que sejam realizados estudos com metodologia capaz de detectar os possíveis riscos e comprovar sucessos. O gestor de RH é o responsável por manter o clima sempre favorável dentro da empresa e por alinhar os interesses do funcionário com o da corporação. Ele também deve ajudar a empresa a encontrar o equilíbrio entre qualidade de vida e produtividade.
O gestor de RH tem lugar em empresas de todos os portes, além de instituições como ongs e órgãos públicos. Por isso, a formação deste profissional também é ampla. Os cursos têm o objetivo de preparar o aluno para atuar nos mais diversos segmentos, com a mesma eficiência. E, embora muitas empresas ainda utilizem o profissional de RH apenas para funções burocráticas, como contratação e demissão de funcionários, essa postura tem mudado.
“Toda empresa precisa de pessoas para tarefas ligadas à gestão das equipes. Muitas vezes, as de maior porte dão mais importância à função”, avalia Fabrício Pereira Soares, coordenador do Curso de Gestão em Recursos Humanos da Faculdade Estácio de Sá, em Juiz de Fora (MG). Segundo o coordenador, a instituição incentiva os alunos a desenvolverem a capacidade analítica, a liderança, a habilidade para lidar com pessoas e a iniciativa, por meio de aulas voltadas à análise organizacional, às finanças, à ética e à segurança no trabalho.
O campo de trabalho para o profissional formado na área tende a crescer, com a mudança de função dos departamentos de RH tradicionais. Casos de sucesso como a norte-americana Google – dona do mais importante site de busca do mundo –, famosa por comprometer-se com a qualidade de vida e a satisfação pessoal de seus funcionários, têm inspirado outras empresas. Os caminhos para o gestor de RH, portanto, prometem ser cada vez mais promissores.
Onde está o emprego: Empresas públicas e privadas, independentemente do porte e do ramo de atuação. Salário inicial entre R$ 750 e R$ 1.000.
Logística e Transporte
O tecnólogo em Logística e Transporte é capacitado para buscar o aprimoramento constante das técnicas e dos processos logísticos. Na prática, ele é responsável por controlar toda a chegada, armazenamento e saída de materiais nas empresas, e deve planejar cada passo desses processos, para que não haja surpresas desagradáveis no final.
Segundo Enio Fernandes Rodrigues, coordenador dos cursos de Tecnologia em Gestão (Logística, Finanças, Recursos Humanos e Empresas) da Universidade do Grande ABC (UniABC), em Santo André (SP), e coordenador dos cursos de Tecnologia em Informática com ênfase de Gestão de Negócios e Logística com ênfase em Transportes da Faculdade de Tecnologia da Zona Leste (Fatec-ZL), em São Paulo (SP), os processos de característica logística respondem por um terço dos custos totais de uma empresa. “A perspectiva é de ampliação na contratação desse profissional em função da busca de especialização e competência nos sistemas organizacionais, principalmente pelas empresas prestadoras de serviço”. Hoje, a maioria dessas empresas conta com funcionários sem formação acadêmica.
A estudante Raquel Facioli, 27 anos, de Santo André (SP), já trabalhava em uma empresa especializada em logística e transporte e sentiu a necessidade de especialização para se manter no emprego. “Procurei o curso porque a grade curricular oferece exatamente o que utilizo no meu dia-a-dia de trabalho e acredito que ele me dará chance de buscar o crescimento profissional”, esclarece Raquel, que estuda na UniABC.
Para incrementar a formação e colocar o aluno em contato com o mercado, a UniABC montou a Empresa ABC Junior, que permite ao aluno desenvolver atividades semelhantes àquelas que encontrará no universo profissional. Na grande curricular, há muitas aulas de administração, estratégias mercadológicas, gerenciamento de projetos, gestão da qualidade e tecnologia, para familiarizar o aluno com os softwares empregados em logística. “O perfil desse profissional envolve uma grande quantidade de conhecimento metodológico, pois muitas das atividades com as quais o tecnólogo irá lidar são de uso específico”, explica Enio. “Entre elas estão as atividades de planejamento do processo de manufatura, transporte e distribuição de cargas, suprimentos, gerenciamento de atividades ligadas ao trafego e gestão da manutenção de frotas, além do gerenciamento do ciclo informacional”, conta.
Onde está o emprego: Grandes capitais, como São Paulo (SP), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Salário médio na faixa dos R$ 1.500.
Marketing
As empresas já perceberam – e não é de hoje – que ter suas marcas consolidadas no mercado faz mais pelas vendas do que qualquer promoção. Por isso mesmo, têm investindo como nunca em estratégias para conquistar mais clientes, além de mostrar seus valores de trabalho, éticos e de eficiência.
Com a concorrência global sendo transposta cada vez mais ao regional, não basta mais possuir o melhor produto. É preciso saber vendê-lo, atingir o público de maneira eficiente. O tecnólogo em Marketing trabalha com esse foco. Ele atua para incrementar as técnicas de venda, por meio de estudos do público-alvo e dos consumidores do produto ou serviço. Analisar a concorrência é outro de seus papéis. Ele pode desenvolver estratégias futuras baseadas na análise do mercado. A pesquisa de mercado, inclusive, é fundamental tanto para a área de vendas, como para os estudos de mercado a serem realizados.
O perfil do curso é bem diferente daquele das graduações tradicionais na área, como Publicidade e Propaganda e o próprio Marketing. “Ele foi criado pensando, especialmente, em pessoas que já estão trabalhando na área e procuram um aprimoramento”, explica Paulo Ermínio Silva Vaz, coordenador do curso de Tecnologia em Marketing da Faculdade Estácio de Sá, em Belo Horizonte (MG).
Valter José Gonçalves, 40 anos, aluno do Curso Superior de Tecnologia em Marketing da Universidade Metodista de São Paulo, comprova essa teoria. Ele trabalha há anos no departamento de marketing do Grupo Siderinox Aço Inoxidável, em São Paulo, e acredita que não tem mais um minuto a perder na carreira. “Quero crescer na empresa e aprofundar meus conhecimentos para, um dia, trabalhar no mercado externo”, relata.
Onde está o emprego: No Sudeste, especialmente nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). O salário médio inicial é de R$ 1.000.
Processos Gerenciais
A segmentação do trabalho é uma das características do mundo corporativo atual, e a terceirização é um fenômeno decorrente desse processo. Já é comum empresas transnacionais segmentarem criação, produção, distribuição e venda de seus produtos ou serviços, realizando essas atividades em diferentes lugares do planeta. Isso ocorre especialmente no setor industrial, em que é essencial diminuir custos para garantir a sobrevivência diante da concorrência em escala global.
Com tamanha segmentação, manter a unidade da empresa é um grande desafio. Para isso, são necessários profissionais capazes de liderar equipes, levantar necessidades, gerenciar riscos e estar constantemente buscando alternativas inovadoras para implementar melhorias nos processos do trabalho.
Um curso para formar um profissional com esse perfil precisa oferecer grande contato com o mercado, desde o início das aulas. “A maioria dos alunos entrou no curso já com emprego e foi atrás de promoções dentro da mesma empresa”, comenta Cid Nardy, coordenador do curso de Processos Gerenciais do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (Mauá-SP), em São Caetano do Sul (SP).
Segundo Nardy, o aluno é formado para ter espírito empreendedor e, em muitos casos, até gerenciar o próprio negócio. Quando a atuação é em outra empresa, o profissional torna-se mais especializado, pois não precisa ter contato com todos os processos. Por isso, o curso forma profissionais de dois perfis diferentes: o gerente geral, capaz de liderar iniciativas, organizar equipes, gerir custos e fazer negócios; e o gerente de processos, especializado em uma determinada área de atuação. Uma das habilidades mais desenvolvidas por este gestor é a realização de negócios.
Vale lembrar que o profissional de processos gerenciais tem como foco os resultados. “O mercado está muito favorável e valoriza o conhecimento efetivo, isto é, saber fazer, saber por que faz, e ter resultados com o que faz”, explica Nardy. Para unir os diversos processos e torná-los efetivamente eficientes, é preciso entrar em contato com disciplinas como marketing, finanças, logística, contabilidade, recursos humanos, administração geral, tecnologia da informação e projetos e planejamento. Esse conjunto torna o profissional apto a trabalhar como gestor de projetos – outro nome pelo qual é conhecido aqueles que têm essa formação.
Onde está o emprego: Regiões Sul e Sudeste, devido à maior concentração de grandes empresas. Mas, com as migrações de empresas para outros centros urbanos, surgem novas oportunidades em outras regiões. O salário médio inicial é de R$ 1.500.