A área de saúde possui um vasto campo de atuação. Em contrapartida, é uma área bem difícil de ingressar, pois a maioria dos cursos de graduação são extremamente concorridos. Os preços salgados das mensalidades das escolas particulares são outro fator de exclusão para muitos aspirantes à carreira.
Porém, o governo brasileiro tem investindo muito no profissional de saúde, para melhorar a qualidade de seus serviços e o atendimento à população. Postos de trabalho foram criados e novas profissões reconhecidas, como o tecnólogo em Prótese Odontológica e em Oftálmica.
Como as modalidades de graduação oferecidas pelos cursos tecnológicos não concorrem diretamente com o bacharelado tradicional, as chances desses profissionais conquistarem um lugar ao sol é maior, tanto para quem quer ingressar no mercado de trabalho quanto para aqueles que buscam aprimoramento profissional. Na área da saúde ainda há campos a se explorar e isso significa oportunidades de trabalho.
Biotecnologia
A biotecnologia trabalha com pesquisas relacionadas às técnicas de manipulação e aplicação de materiais biológicos a fim de usá-las em benefício do ser humano. A principal atuação do tecnólogo dessa área é gerar produtos e processos úteis à saúde, ao meio ambiente e à agroindústria.
No curso oferecido pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), no interior paulista, é dada ênfase a temas como biologia molecular, cultura de tecidos, análises de genoma, proteomas, processos fermentativos, bioensaios e bioinformática. Com três anos de duração, o currículo do curso é dividido em dois módulos que abrangem quatro grandes áreas de formação: básica, tecnológica, informática e complementar. “A partir da observação da biodiversidade, o biotecnólogo busca a criação de produtos e serviços para a sociedade, mas sempre preocupado com a preservação do meio ambiente”, explica Mozart Marins, coordenador do curso.
Como a área é multidisciplinar, o aluno pode optar por diversas frentes de atuação depois de formado. Com as disciplinas aprendidas no curso, como ciências biológicas, química e bioinformática, o campo de trabalho abrange de pesquisas de genoma e células tronco à criação de antibióticos com a utilização de plantas. E há ainda os profissionais que se enveredam pela bioinformática, utilizando os computadores para responder questões biológicas.
Além de trabalhar em institutos de pesquisa, empresas e universidades, ele pode obter emprego em indústrias de alimentos e bebidas, farmacêuticas e de produtos químicos, entre outras. Depois de formado, o profissional também poderá se tornar responsável pela organização e manutenção de laboratórios, preparar microorganismos e células animais e vegetais, analisar processos celulares, identificar biomoléculas, além da dar apoio no processo de pesquisas ligadas à biotecnologia.
A oportunidade de atuar em um mercado em expansão, que lida com assuntos de ponta e essenciais para o desenvolvimento da ciência, é um dos principais atrativos para estudantes como Evanilda Gomes do Nascimento, 23 anos, do curso Superior de Tecnologia em Bioprocessos e Biotecnologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), em Curitiba. “Existe uma impressão errada de que temos conhecimento mais superficial, por sermos tecnólogos, mas é completamente errado”, opina Evanilda. “Nossos estudos são profundos, e na hora de trabalhar percebemos que os empregadores sabem disso. É uma área com futuro muito promissor, e que contribui para a evolução da humanidade.”
Onde está o emprego: As melhores oportunidades estão nas micro e pequenas empresas da região Sul e Sudeste, onde o salário inicial pode chegar a R$ 1.500.
Ciência das Plantas Medicinais
Já não resta dúvida sobre o poder curativo de inúmeras plantas que são, inclusive, base para a fabricação de remédios alopáticos. Benzedeiras e curandeiras populares, assim como os índios, sempre souberam disso. Mas, ainda que sejam produtos naturais, essas plantas precisam ser estudadas e utilizadas da melhor forma possível, para aliviar sofrimentos e curar doenças. É uma prática que os chineses cultivam há milênios, e que hoje está disseminada, a ponto de termos, agora, um curso de graduação de curta duração só para isso, na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, no litoral sul do estado de São Paulo.
A localização da faculdade foi fundamental para a criação do curso de Ciência das Plantas Medicinais, inédito e único no país. “Estamos na baixada santista, próximos ao Vale do Ribeira, que abriga a maior extensão ainda conservada de Mata Atlântica e é uma área muito rica em ervas medicinais”, conta Fabiana Gaspar Gonzáles, coordenadora do curso. “Além da riqueza de matéria-prima, na região vivem muitos descendentes de quilombolas, que conhecem profundamente essas plantas e suas aplicações.”
Mas a localização não foi, segundo Fabiana, o único fator que levou à criação do curso. Ela afirma que, embora a medicina complementar seja muito debatida pela comunidade médica, não existia nenhum tipo de formação específica na área. “Muita gente já trabalhava em farmácias de manipulação ou com o cultivo de plantas medicinais, mas sem o embasamento acadêmico”, acredita.
Com dois anos de duração e carga horária de 1.600 horas, o curso habilita o estudante a atuar na indústria farmacêutica e em empresas de formulação de fitoterápicos e fitocosméticos, a trabalhar na produção e controle de insumos vegetais e a desenvolver pesquisas utilizando ervas. A coordenadora destaca ainda o enfoque ao meio ambiente. “O aluno tem aulas de cultivo e manejo sustentável dessas plantas. Com isso, visamos incentivar a coleta não predatória e a preservação”, esclarece.
Entre as disciplinas do curso, destacam-se as aulas de fundamentos de farmacologia; fisiologia vegetal; química orgânica e analítica; princípios de bioquímica; controle de qualidade das plantas medicinais; cultivo e domesticação de plantas medicinais nativas e exóticas; manejo sustentável de plantas medicinais; marketing e regulamentação dos fitoterápicos. No final do curso, é preciso fazer um estágio supervisionado.
O tecnólogo em Ciência das Plantas Medicinais pode trabalhar em farmácias de manipulação, empresas de produção e comercialização de espécies vegetais, em centros de pesquisa dessa matéria-prima e em indústrias farmacêuticas que desenvolvam medicamentos e cosméticos de origem vegetal. “Como essa é nossa primeira turma, ainda é impossível estimar a situação do mercado de trabalho, mas acredito que nossos alunos não terão dificuldade em empregar-se, já que estão adquirindo um conhecimento que poucas pessoas têm”, finaliza Fabiana.
Onde está o emprego: A área de atuação é ampla, já que o profissional pode trabalhar em qualquer região que possua farmácias de manipulação ou indústrias farmacêuticas. Também pode atuar em clínicas que trabalham com fitoterapia. O salário médio inicial é de R$ 1.000.
Oftálmica
A realização de exames oculares complementares para prevenção, tratamento e diagnóstico de problemas que envolvem a visão são competência desse tecnólogo. Ele opera equipamentos de fotografia, ultra-sonografia ocular e outras tecnologias de ponta, em consultórios e clínicas especializadas ou em hospitais universitários da rede pública ou particular. Também atua em unidades hospitalares de cirurgia ocular, preparando equipamentos, instalações e instrumentação cirúrgica. O curso compreende, além das disciplinas básicas da área de saúde, aulas específicas como instrumentação cirúrgica oftalmológica, morfofisiologia da visão e óptica clínica. Com o desenvolvimento tecnológico dos instrumentos da área, a informática também se tornou matéria indispensável.
Onde está o emprego: Consultórios, clínicas, hospitais e empresas de equipamentos oftalmológicos. Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro e Brasília, no Centro-Oeste, são os melhores mercados. O salário médio inicial é de R$ 1.500
Ortóptica
Esse profissional utiliza exercícios musculares, equipamentos eletrônicos e ferramentas de estimulação motora e sensorial para corrigir distúrbios da visão e resgatar a capacidade visual de pacientes. Além disso, ele auxilia na readaptação às novas condições de moradia, locomoção e vida profissional dos portadores de deficiência relacionada à visão. O curso reúne diversas disciplinas específicas da área oftalmológica, como morfofisiologia da visão, refração, óptica clínica e psicologia aplicada à reabilitação. Além disso, engloba as patologias oculares e os exames e equipamentos relacionados ao diagnóstico e tratamento.
Onde está o emprego: Hospitais e clínicas nas principais capitais do país, especialmente em Goiânia, cidade considerada centro de referência no tratamento de doenças oculares. O salário médio inicial é de R$ 1.500.
Prótese Odontológica
A especialidade desse tecnólogo é construir aparelhos ortodônticos. Ele também fabrica próteses odontológicas, fixas e removíveis, dando suporte ao trabalho do cirurgião-dentista. Além de conhecer a fundo a anatomia da face e os materiais de uso protético, ele deve ter habilidade manual para confeccionar as peças em detalhes. Pode trabalhar, ainda, com profissionais que pesquisam e desenvolvem novas ligas, como misturas de cerâmica e resina, que substituem os metais na composição dos aparelhos fixos.
Onde está o emprego: Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro são os melhores mercados para esse tecnólogo. No Nordeste e no Norte, a demanda vem crescendo nos últimos tempos. O salário médio inicial gira em torno de R$ 1.500.
Radiologia
Mais do que interpretar imagens do corpo humano, o tecnólogo em Radiologia precisa conhecer e se adaptar às tecnologias utilizadas na área, em constante aprimoramento. Afinal, ele é o responsável por operar os equipamentos de diagnóstico por imagem utilizados em vários setores, não apenas no da saúde.
Segundo o coordenador do curso superior de tecnologia em Radiologia da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), em Minas Gerais, Max Moreira Dias, o curso foi criado há seis anos para atender a uma demanda do próprio mercado. “Não haviam profissionais preparados para operar as novas tecnologias que surgiam”. Ele garante que a formação generalista obtida pelo aluno o torna apto a atuar em cinco grandes áreas.
Três delas são voltadas à saúde: radiologia médica, médico-veterinária e odontológica. A radiologia industrial tem aplicação em fábricas de turbinas de aviões e de peças de veículos, assim como na indústria naval e em equipamentos de soldagens específicas. São utilizados os raios X, a tomografia e o ultra-som na verificação da qualidade das peças produzidas. Já a área de irradiação de alimentos desenvolve técnicas para conservar produtos alimentícios e aprimorar sua higiene e qualidade.
Durante o curso, além de assistir aulas de anatomia, física e informática, os alunos também realizam visitas técnicas a empresas de equipamentos utilizados na radiologia, laboratórios e hospitais. No final do curso, é necessário cumprir um estágio supervisionado.
Depois de formado, o tecnólogo precisa se registrar no Conselho Regional de Técnicos em Radiologia. As principais colocações encontram-se em clínicas e hospitais públicos ou particulares e laboratórios de diagnóstico por imagem, na operação de equipamentos destinados ao diagnóstico e à terapia.
Onde está o emprego: O mercado é mais aquecido nas regiões que concentram o maior número de hospitais e laboratórios de diagnóstico por imagem, como São Paulo e Rio de Janeiro. O salário inicial é de cerca de R$ 1.300, mas ele pode aumentar com a realização de especializações.
Saúde
Há muitas funções que podem ser assumidas pelo tecnólogo em saúde. Em todas elas, o objetivo é melhorar o tratamento e o diagnóstico de doenças. Por isso, o profissional trabalha em laboratórios e clínicas, como o patologista ou o citotecnologista. Além disso, pode se especializar na engenharia de equipamentos médico-hospitalares, trabalhando em oficinas e empresas de manutenção ou na operação deles, como em clínicas especializadas em radioterapia, ultra-sonografia e fisioterapia. Na área de vigilância sanitária, analisa, avalia e inspeciona estabelecimentos e situações de interesse à saúde, diagnosticando problemas sanitários críticos, além de prevenir e eliminar os riscos à saúde.
Onde está o emprego: No caso dos cursos com foco em equipamentos hospitalares, o mercado é o de clínicas, laboratórios, hospitais e indústrias de equipamentos. Para os de análises clínicas há boas perspectivas nos laboratórios. Além desses, os profissionais da área de vigilância sanitária podem atuar em estabelecimentos comerciais e indústrias. O salário médio inicial é de R$ 1.000.